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02/01/2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um excerto:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 9.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, eram precisos 3 concertos egostados para sentar essas pessoas todas.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Os números de 2010

03/01/2011

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog está em brasa!.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um navio de carga médio pode transportar cerca de 4.500 contentores. Este blog foi visitado 16,000 vezes em 2010. Se cada visita fosse um contentor, o seu blog enchia cerca de 4 navios.

In 2010, there were 14 new posts, growing the total archive of this blog to 115 posts. Fez upload de 86 imagens, ocupando um total de 42mb. Isso equivale a cerca de 2 imagens por semana.

The busiest day of the year was 30 de Março with 168 views. The most popular post that day was LHC : Em busca da partícula final.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram pt.wordpress.com, search.conduit.com, google.com.br, facebook.com e gizmodo.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por lhc, natal, hypnerotomachia poliphili, arvore de natal e via lactea

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

LHC : Em busca da partícula final Setembro, 2008
6 comentários

2

Natal fractal Dezembro, 2008

3

O Terramoto Novembro, 2008
5 comentários

4

Aldeias de S.Pedro do Sul, lugares mágicos 2 Outubro, 2008
7 comentários

5

O mosaico da Medusa Março, 2009
4 comentários

Será mesmo verdade?…

A todos os meus leitores atentos, e persistentes, os meus agradecimentos sinceros e votos de um FELIZ ANO DE 2011!

Arte (mesmo) com lápis…

18/10/2010

De origem brasileira, Dalton Ghetti é um artista radicado nos EUA, que trabalha como carpinteiro e nas horas vagas faz curiosas e, mínimas, esculturas. Utilizando simples lápis, Dalton Ghetti executa esculturas na própria grafite, impressionantes pela riqueza de detalhes e o grau de dificuldade contida no trabalho de cada peça.
As ferramentas usadas pelo artista são uma lâmina de barbear, agulhas de costura e um estilete.

Para visitar as suas exposições, as pessoas recebem lentes de aumento para poder apreciar as esculturas… 

ver mais

 

 

 

 

 

 

 

Um Sol misterioso

13/10/2010

 (fotos da época do jornal “O Século”)

 

Assinala-se hoje mais um ano sobre a data da sexta, e última  aparição de Nossa Senhora, do ciclo iniciado em Maio, traduzida naquele que continua a ser um fenómeno sem explicação credível : o chamado “Milagre do Sol”.

Com efeito, foi no dia 13 de Outubro de 1917  que milhares de pessoas aguardaram no local chamado Cova da Iria, em Fátima, um ‘sinal’ prometido, segundo a  Igreja Católica, pela “Virgem Maria” aos Três Pastorinhos, três crianças de apenas dez, nove e oito anos (Lúcia, Francisco e Jacinta).

 De acordo com os relatos da época, o grande número dos que assistiram ao fenómeno variava entre os “trinta a quarenta mil” segundo Avelino de Almeida, que relatou o seu testemunho no jornal “O Século” , a cem mil, segundo estimativa de José de Almeida Garrett, professor de ciências naturais na Universidade de Coimbra, que também presenciou o acontecimento. 

Notícia do jornal "O Século"

                                                          (ver Aqui e Aqui mais páginas do “Século”)

As crianças tinham relatado em datas anteriores que Nossa Senhora tinha prometido um milagre para o meio-dia de 13 de Outubro, “de modo que todos pudessem acreditar.”

Não cabe aqui formular uma explicação, mas antes salientar aspectos dos testemunhos da altura, que, confrontados com outros dados, podem apontar para outras reflexões e modos de ver que se devem perfilar distantes das estritas interpretações oficiais.

“De acordo com muitas indicações das testemunhas, após uma chuva torrencial, as nuvens desmancharam-se no firmamento e o Sol apareceu como um disco opaco, girando no céu. Disse-se ser significativamente menos brilhante do que o normal, acompanhado de luzes multicoloridas, que se reflectiram na paisagem, nas pessoas e nas nuvens circunvizinhas . Foi relatado que o  Sol se teria movido com um padrão de ziguezague , assustando muitos daqueles que o presenciaram, que pensaram ser o fim do mundo . Muitas testemunhas relataram que a terra e as roupas previamente molhadas ficaram completamente secas, num curto intervalo de tempo .

De acordo com relatórios das testemunhas, o Milagre do Sol durou aproximadamente dez minutos . As três crianças relataram terem observado Jesus, a Virgem Maria e São José abençoando as pessoas.”(Wilkipédia)

Avelino de Almeida faz no Século um relato emocionado:

“E assiste-se então a um espectáculo único e inacreditável para quem não foi testemunha d’ele. Do cimo da estrada, onde se aglomeram os carros e se conservam muitas centenas de pessoas, a quem escasseou valor para se meter á terra barrenta, vê-se toda a imensa multidão voltar-se para o sol, que se mostra liberto de nuvens, no zênite. O astro lembra uma placa de prata fosca e é possível fitar-lhe o disco sem o mínimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-ia estar-se realizando um eclipse. Mas eis que um alarido colossal se levanta, e aos espectadores que se encontram mais perto se ouve gritar:

– Milagre, milagre! Maravilha, maravilha!

 Aos olhos deslumbrados d’aquele povo, cuja atitude nos transporta aos tempos bíblicos e que, pálido de assombro, com a cabeça descoberta, encara o azul, o sol tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos bruscos fora de todas as leis cósmicas – o sol «bailou», segundo a típica expressão dos camponeses… “(…)

E, a seguir, perguntam uns aos outros se viram e o que viram. O maior numero confessa que viu a tremura, o bailado do sol; outros, porém, declaram ter visto o rosto risonho da própria Virgem, juram que o sol girou sobre si mesmo como uma roda de fogo de artifício, que ele baixou quase a ponto de queimar a terra com os seus raios… Ha quem diga que o viu mudar sucessivamente de cor… São perto de quinze horas.

O céu está varrido de nuvens e o sol segue o seu curso com o esplendor habitual que ninguém se atreve a encarar de frente.”

Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos, revelou nas suas Memórias as visões extraordinárias que teve enquanto Nossa Senhora comandava o Milagre do Sol no céu de Fátima:

“E abrindo as mãos, Nossa Senhora projetou feixes de luz que refletiram no Sol. E enquanto se elevava da azinheira para o Céu, continuava o reflexo da Sua própria luz a projetar-se no Sol.”

“Então, eu gritei:

Olhem, olhem para o Sol!”

“O meu fim não era chamar para si a atenção do povo, pois que nem sequer me dava conta da sua própria presença. Fi-lo apenas levada por um movimento interior que a isso me impeliu.”

Naquele exato momento “as nuvens desapareceram num instante, a chuva terminou e apareceu o sol que tinha uma cor prateada e não cegava”.

  “Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do Sol, São José com o Menino Jesus e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. São José com o Menino Jesus pareciam abençoar o Mundo com uns gestos que faziam com a mão em forma de cruz.”

Uma enorme quantidade de depoimentos de testemunhas do Milagre do Sol, relatam os mesmos acontecimentos:

“Era como um disco de vidro fosco iluminado por detrás e girando sobre si mesmo, dando a impressão que estava caindo sobre nossas cabeças.”

“Olhei fixamente para o sol que parecia pálido, não feria meus olhos. Parecendo uma bola de neve, ele girava sobre si mesmo; de repente pareceu cair em ziguezague.”

“O sol começou a rodar em círculos de todas as cores. Era como uma roda de fogos de artifício, caindo sobre o chão.”

“Olhei para o sol e o vi girando como um disco, rolando sobre si mesmo. Vi as pessoas mudando de cor, tomando as cores do arco-íris.

Também J.M.Garret relatou:

“Seria 1h30 da tarde quando surgiu, no sítio exato onde estavam as crianças, uma coluna de fumo, fino, delicado e azulado, que se extendia talvez uns dois metros por cima das suas cabeças e se evaporava a essa altura. Este fenómeno, perfeitamente visível ao olho nu, durou uns segundos. Não tendo notado quanto durou, não posso dizer se foi mais ou menos de um minuto. O fumo dissipou repentinamente, e depois de algum tempo, voltou a aparecer uma segunda vez, e depois uma terceira.

“O céu, que tinha estado encoberto todo o dia, de repente se aclarou; a chuva parou e parecia que o sol ia encher de luz a paisagem que a manhã de inverno tinha tornado tão triste. (…) O sol, uns momentos antes, tinha penetrado a camada espessa de nuvens que o escondiam e agora brilhava claro e intensamente.
“Sùbitamente ouvi o alvoroço de milhares de vozes e vi toda a multitude espalhada nesse espaço vasto aos meus pés… virar as costas ao sítio onde, até então, todas as suas espetativas estavam focadas, e olhar para o sol no outro lado.

Eu também me virei para o ponto que comandava o seu olhar e pude ver o sol, como um disco muito claro com uma margem muito aguda, que vislumbrava sem ferir a vista. (…)A coisa mais espantosa era poder olhar para o disco solar por muito tempo, brilhando com luz e calor, sem ferir os olhos ou prejudicar a retina. [Durante este tempo], o disco do sol não se manteve imóvel, teve um movimento vertiginoso, não como a cintilação de uma estrela em todo o seu brilho, pois girou sobre si mesmo nu rodopio louco.

“Durante este fenómeno solar, que acabo de descrever, houve também mudanças de cor na atmosfera. Olhando para o sol, notei que tudo se escurecia. Olhei primeiro para os objetos mais perto e depois extendi a minha vista ao longo do campo até ao horizonte. Vi que tudo tinha assumido cor de ametista. Os objetos à minha volta, o céu e a atmosfera, eram da mesma cor. Tudo perto e longe tinha mudado, tomando a cor de velho damasco amarelo. As pessoas pareciam que sufriam de icterícia e lembro-me de uma sensação de divertimento ao vê-los tão feios e repulsivos. A minha mão estava da mesma cor.

“Então, de repente, ouviu-se um clamor, um grito de agonia vindo de toda a gente. O sol, girando loucamente, parecia de repente soltar-se do firmamento e, vermelho como o sangue, avançar ameaçadamente sobre a terra como se fosse para nos esmagar com o seu peso enorme e abrasador. A sensação durante esses momentos foi verdadeiramente terrível.

“Todos os fenómenos que descrevi foram observados por mim num estado de mente calmo e sereno sem nenhuma perturbação emocional. Cabe aos outros interpretá-los e explicá-los. Finalmente, tenho que declarar que nunca, antes ou depois de 13 de Outubro 1917, observei semelhante fenómeno solar ou atmosférico.”


Mas outros dados importantes podem fazer-nos reflectir sobre todo este fenómeno. Richard Dawkins, um importante pensador dos nossos tempos, “com uma argumentação brilhante, que recorre ao famoso ensaio do filósofo escocês David Hume (1711-76) sobre os milagres, mostra que a probabilidade de estarmos perante uma ilusão por parte das pessoas que alegadamente presenciaram o milagre é muito superior à probabilidade de o Sol efectivamente se ter movido, como os pastorinhos e as 70 mil testemunhas afirmaram:”

“Apliquemos o critério de Hume. Por um lado, é-nos pedido que acreditemos numa alucinação em massa, num artifício de luz ou numa mentira colectiva envolvendo 70 000 pessoas. Isto é reconhecidamente improvável, mas é menos improvável do que a alternativa: que o Sol realmente se moveu. O Sol que estava sobre Fátima não era, afinal, um Sol privado: era o mesmo Sol que aquecia todos os outros milhões de pessoas no lado do planeta em que era dia. Se o Sol se moveu de facto, mas o acontecimento só foi visto pelas pessoas de Fátima, então teria de se ter dado um milagre ainda mais notável: teria de ter sido encenada uma ilusão de não-movimento relativamente a todos os milhões de testemunhas que não estavam em Fátima. E isso se ignorarmos o facto de que, se o Sol se tivesse realmente deslocado à velocidade referida, o sistema solar se teria desintegrado. Não temos alternativa senão a de seguir Hume, escolher a menos miraculosa das alternativas disponíveis e concluir, contrariamente à doutrina oficial do Vaticano, que o milagre de Fátima nunca aconteceu. Além disso, não é de todo claro que nos caiba a nós explicar como é que aquelas 70 000 testemunhas foram enganadas.” (via)

Já em 2007, a propósito das comemorações dos 90 anos das Aparições, o professor jubilado de Física José Ferreira da Silva refutava a hipótese de o Sol se ter aproximado da Terra em 13 de Outubro de 1917. «Se realmente tivesse sido o Sol, ficava tudo queimado»

O antigo professor catedrático de Física da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto sublinhou que ainda não há uma explicação científica cabal para os fenómenos ocorridos em 1917.

«Não é uma questão fácil, é uma questão intrincada. É um fenómeno multifacetado. Há tentativas de explicação científica, mas a explicação científica não é cabal».

«A primeira perspectiva científica é que não terá sido o Sol que se terá movido. Se realmente houvesse uma aproximação do Sol, seria um desastre. Não estaríamos aqui», afirmou, sublinhando que teria de ter havido maremotos e outros efeitos meteorológicos em todo o planeta.

Ferreira da Silva destacava então que a própria Igreja Católica admite que «há ali uma parte subjectiva, psicológica», como interpretou o actual Papa Bento XVI, Cardeal Ratzinger, quando era perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

O físico salientava também que a maior parte das 50 a 70 mil pessoas que se concentraram em Fátima, em 13 de Outubro de 1917, não viu o chamado «milagre do Sol».

«O jornalista d`O Século diz que viu um disco que parecia de prata fosca. Ora, o Sol nunca poderia assumir essa cor», realçou Ferreira da Silva, lembrando que o fenómeno ocorreu depois de «uma manhã em que choveu copiosamente». (via)

No dia 13 de outubro de 1917, cerca de 70 mil pessoas presenciaram um fenómeno que foi considerado como uma manifestação do poder de Deus. Naquele dia estava a chover e, de repente, o Sol surgiu no céu. O que pareceu ser um disco achatado, com um contorno nitidamente definido e um brilho mutante, apareceu entre as nuvens e em seguida começou a fazer manobras com crescente velocidade. O disco solar apareceu como uma lua de prata a girar vertiginosamente sobre si mesmo, semelhante a uma roda de fogo e projectando em todas as direções feixes de luz amarela, verde, vermelha, azul e roxa, que pintavam as nuvens do céu, as árvores e a multidão imensa.

Este estranho fenómeno teve uma preparação nos anos anteriores, sob a forma de esparsos sinais no céu. Em todos os casos, três crianças foram o epicentro dos factos que acabaram por ter um belo contacto com uma entidade, imediatamente aclamada pela igreja como a Virgem Maria.

Estes factos sugerem outras leituras do fenómeno, mais ou menos fantásticas, mais ou menos possíveis,  que provávelmente não conseguiremos compreender na sua verdadeira dimensão, pois, de um modo ou de outro, ultrapassa-nos. Logicamente não foi o Sol que ‘dançou’ para a multidão naquele dia 13 de Outubro de 1917 na região de Fátima. O Astro Rei a 150 milhões de kilómetros de distância jamais poderia ter saido do seu lugar sem que isso causasse uma hecatombe na Terra e dentro do Sistema Solar. Talvez a resposta esteja relacionada com a mensagem que o pintor do Renascimento Fillipo Lippi quis deixar na sua obra “Madonna com o Menino”, de 1455:

 

 

(Um curioso detalhe no quadro, perfeitamente integrado no ambiente, onde uma personagem ao fundo parece estar posicionada a avistar um misterioso objecto oval que desliza no céu…)

O que é certo é que algo fascinante se manifestou em Fátima, e se há mensagem que possamos retirar certamente estará relacionada com o estado da situação do mundo em que vivemos e onde é preciso mudar comportamentos para com a Vida no Planeta, os Seres, a Natureza, e a Ordem do Universo.

Hypnerotomachia (6)

07/09/2010

 

Após ter descrito detalhadamente e com grande entusiasmo, o magnífico Portal do Templo-Pirâmide, elemento fundamental na continuidade e evolução simbólica da narrativa, Poliphilo vai finalmente atravessá-lo…

CAPÍTULO VI

“Poliphilo entra no Portal e encontra o Dragão”

 

Poliphilo ainda está  surpreendido com o magnífico edifício e o seu belo Portal, constatando que fácilmente ultrapassam em grandiosidade outras famosas obras da Arquitectura e Escultura da Antiguidade, das quais refere vários exemplos, como as Pirâmides do Egipto, Anfiteatros, Termas e Aquedutos romanos, as mais notáveis esculturas de Apolo, Júpiter e Hércules, o famoso labirinto do Egipto, etc…, que muito provávelmente, pensa Poliphilo, o historiador iria menosprezar se conhecesse aquele edifício, glorificando-o como “o milagre mais grandioso de todos.”

Poliphilo ainda se interroga se por acaso todos aqueles fragmentos e ruínas da Antiguidade que tanta admiração lhe causaram, se estivessem completos, que emoções seriam capazes de lhe despertar. Imagina a possibilidade de serem vestígios de um venerável altar de sacrifícios misteriosos, ou de uma estátua da divina Vénus, ou o altar sagrado de Afrodite e seu filho. Embrenhado nestas divagações ao entrar no Portal, Poliphilo avista um pequeno rato branco correndo à sua frente. Movido pela curiosidade, avança para dentro até ao luminoso àtrio de entrada, sempre observando tudo com grande atenção e respeito.

Verifica que as paredes são de mármore polido como espelho, e contempla esplêndidos mosaicos. O chão, construído com finas tesselas, está imaculado, tal como o tecto, que é abobadado e com excelentes relevos de pequenas figuras de monstros marinhos semi-humanos por entre as ondas do mar. Alguns tocam flauta ou outros instrumentos fantásticos, enquanto outros conduzem estranhas carruagens puxadas por golfinhos. Uns têm coroas de flores, outros parecem utilizá-las como armas, vários fazem jogos festivos, com gestos vivos e expressivos. Na face interior das aduelas do arco, Poliphilo observou um elaborado trabalho de mosaico vidrado de cores atractivas. As cenas, minuciosamente executadas, mostravam determinados episódios da mitologia grega que surgem em pequenos quadros:

uma jovem donzela montada num soberbo touro é levada pelo mar até Creta;

Trata-se da representação do episódio do Rapto de Europa. É o primeiro quadro de uma série que conta episódios da mitologia grega  relacionados com o Touro de Creta,   uma criatura que viveu naquela ilha e que foi capturada por Héracles , (Hércules romano) num dos seus famosos trabalhos.

 Neste mito  o touro de Creta é associado a Europa, a lindíssima filha de Agenor, rei de Tiro (Fenícia). A versão mais conhecida da lenda conta que Europa foi raptada por Zeus, que tomou a forma de um belo touro branco e levou-a para Creta, onde ela se casou com Asterion. Outra versão, no entanto, rejeita a metamorfose do próprio deus, e afirma que Zeus na verdade enviou o touro de Creta para seduzir a princesa.

a ordem dada por Agenor, rei de Tiro, aos seus filhos Cadmo, Fénix e Cílix para irem resgatar a sua irmã raptada;

estes, não tendo conseguido cumprir a sua missão, percorreram várias regiões. Tiveram que matar enérgicamente um escamoso dragão para poderem beber água de uma fonte. Depois, após terem consultado o oráculo, foi-lhes dito por Apolo que deveriam construir uma cidade no local onde um novilho que seguissem caísse de cansaço;

esse país é até aos nossos dias, e eternamente, conhecido por Boécia. Finalmente Cadmo fundou Atenas, o segundo irmão a Fenícia e o terceiro a Cilícia.

 

Quando Europa foi raptada por Zeus, o pai, o rei Agenor, ordenou aos três filhos que fossem à sua procura e que não voltassem sem ela. Durante o seu périplo, os irmãos de Europa fundaram várias cidades e por fim acabaram por se estabelecer definitivamente em outras regiões. Fênix  instalou-se na Fenícia, Cílix na Cilícia  e Cadmo, na Grécia.

Cadmo viajou acompanhado da mãe, e dirigiu-se inicialmente para a Trácia (ou Samotrácia), onde viveu algum tempo. Pouco depois da morte da mãe, aconselhado pelo oráculo de Delfos, parou de procurar Europa e fundou a Cadméia, a acrópole fortificada da futura cidade de Tebas. Segundo a tradição, o oráculo havia mandado Cadmo escolher o local seguindo uma vaca até que ela caísse de cansaço. Ao encontrar uma vaca com um sinal diferente, Cadmo seguiu-a até à Beócia e decidiu fundar a cidade no local onde ela parou. Antes, para obter água de uma fonte próxima, teve de matar à pedrada um dragão que guardava um bosque sagrado.

Na zona oposta a esta, e representados da mesma forma, Poliphilo contempla outros quadros que apresentam:

Pasífase, a esposa de Minos, rei de Creta, que, apaixonada, esconde-se engenhosamente no interior de uma vaca de madeira atraindo o touro de Posídon, que a seduz. Assim concebe o Minotauro, que surge aprisionado no Labirinto. Depois aparece o sábio Dédalo, que faz as asas para si e para o seu filho Ícaro, a fim de conseguirem escapar da sua prisão em Creta;

Mas desobedecendo aos conselhos do pai, Ícaro cai e morre no mar chamado Icário (actual mar Egeu). Finalmente o pai, Dédalo, chega são e salvo, segurando o artefacto que construíu com penas e plumas no templo de Apolo, em cumprimento da sua promessa.

Na mitologia grega, Pasífae (ou Parsifaé) é uma das filhas de Hélio, deus do sol, e de Perseis (ou Perseida). Casou-se com Minos, filho de Zeus e da princesa  Europa

Quando a princesa Europa voltou da sua aventura com Zeus no Olimpo, casou-se com Asterion ( ou Asterios), rei de Creta.  Asterios não queria filhos, mas educou como pai os três filhos de Europa. Ao morrer, legou o seu trono a Minos, o primogénito. Inconformados com essa decisão, os dois irmãos preteridos,Sarpédon e Radamanto, passaram a disputar o poder. Minos, para provar que Creta lhe pertencia por vontade dos deuses, afirmou que os imortais lhe concederiam qualquer coisa que desejasse. Como prova, pediu a Posídon  que fizesse sair um touro do mar Egeu. Fez-lhe a promessa de que, depois, sacrificar-lhe-ia o touro em holocausto. Posídon mandou um magnífico touro branco de grandes chifres dourados. Diante dessa prova de legitimidade, enviada pelos deus supremo dos mares, os irmãos de Minos reconheceram-no como soberano da ilha.

Minos, no entanto, levou o belo touro para fazer parte de seu rebanho e sacrificou, em vez dele, um animal comum. Com punição pelo não cumprimento da promessa, Posídon transformou o touro num animal indomável, furioso, que passou a atacar os habitantes da ilha. Além disso, pediu a Afrodite, deusa do amor, que fizesse com que Pasífae se apaixonasse pelo touro.

Para concretizar a sua paixão, Pasífae pediu ao inventor Dédalo (pai de Ícaro) que construísse uma vaca de madeira tão perfeita que enganasse o touro. Ela  escondeu-se dentro da vaca e assim conseguiu o seu intento. Dessa união nasceu o Minotauro, um ser monstruoso, metade touro, metade homem. Envergonhado pela prova da traição de sua esposa, Minos encerrou o monstro num labirinto que Dédalo construiu junto ao seu palácio, em Cnossos

O Minotauro acabou por ser morto por Teseu, herói que conseguiu superar o complexo labirinto de Creta saindo vivo dele, o que levou o rei Minos a prender Dédalo e Ícaro no labirinto. Minos temia que o arquiteto revelasse os segredos da sua construção. No entanto, Dédalo, na sua sabedoria, teve a idéia de fugir do labirinto pelo céu, pois o mesmo não tinha tecto. Para tanto, construiu asas artificiais com as penas dos pássaros que voavam sobre o labirinto e que nele faziam seus ninhos, coladas com cera das abelhas que os mesmos recolhiam.  O único perigo, segundo Dédalo alertara a seu filho, seria a cera derreter, caso a altitude do vôo fosse maior, portanto mais próxima do sol.  Ícaro, encantando com a experiência de voar, não atendeu as recomendações do pai, e voou a uma altitude superior. As suas asas derreteram e Ícaro caiu no mar, para o desespero de Dédalo, que chorou a morte do filho por toda a sua vida.

O Minotauro representa o ser humano consumido pelos seus desejos e o conflito entre o lado humano e o bestial, existente em todos nós. O monstro precisava ser preso e o rei mandou Dédalo construir-lhe uma prisão: o Labirinto.O labirinto foi, na verdade, um complexo palácio erguido na Ilha de Creta, a fim de que não fosse invadido e, também, um mosaico desenhado no chão onde se dançava em honra dos deuses da fertilidade. Até hoje, ambos existem em Creta. O Minotauro, preso no labirinto, exigia carne humana de atenienses, para comer de 9 em 9 anos: representa o homem obcecado pelo seu apetite devorador e que nada lhe contém. O labirinto é o emaranhado de desejos e sensações físicas e materiais do ser humano.

O simbolismo do Touro está ligado à ideia da “terra-mãe, que tem a função de concretizar, de tornar realidade as ideias, as criações que vêm do mundo da imaginação, mas tem também uma outra função: espiritualizar matéria e dominar os sentidos. É interessante nos remeter aos trabalhos de Hércules para ver como é antiga esta atribuição de Touro. No segundo trabalho, Hércules foi incumbido de trazer para o continente e levar para o templo um touro que se achava em uma ilha. Tendo achado o touro, o herói não o mata, mas monta em suas costas, como Lao Tsé. Montar um touro significa ter o controle sobre ele, sobre que ele representa de força instintiva, sensualidade, desejos e apegos. Ter controle sobre e não matar, sufocar ou reprimir. Levar o touro da ilha para o continente significa reconhecer nossas partes isoladas, desequilibradas e integrá-las no todo da personalidade. Levá-lo para o templo significa reconhecer a sacralidade dos instintos e do mundo material.” (via)

Parece assim que os mosaicos do arco do Portal com as representações à volta do Touro de Creta recordam a Poliphilo o lado da matéria, das sensações e dos instintos que ele vai ter que controlar se quiser alcançar o Amor de Polia, não renunciando ao corpo mas sabendo dominá-lo. Por outro lado revelam  a  ligação e importância, da Grécia , da Fenícia  e de Creta (cultura minóica) como civilizações do Mediterrâneo fundamentais no mundo Antigo, que simultâneamente  partilham o simbolismo do Touro.

Poliphilo estava extasiado com todas aquelas cenas tão belas, de perfeita composição e ordem, perservadas sem qualquer dano. Representavam-se detalhes refinados das águas, fontes, montanhas, colinas, florestas e animais, cujas cores se desvaneciam em jogos de profundidade e luz. Poliphilo sente-se tão absorvido que parece estar quase inconsciente. E é desta forma que chega ao final do átrio de entrada, onde as cenas terminavam, existindo para além delas uma escuridão tão densa que Poliphilo não ousa prosseguir. Prepara-se para voltar para trás quando de repente ouve um som semelhante ao partir de ossos e ao quebrar de ramos. Poliphilo ficou imobilizado, e então ouve um som semelhante ao arrastar de uma carcaça de um grande touro pelo chão coberto de ruínas. Á medida que o som aumentava e parecia aproximar-se da entrada,  ouve o assobio de uma serpente gigante, e fica estarrecido. Não conseguia dizer nada nem sentia segurança em fugir para a escuridão. Mas então de repente, apareceu, no limiar do Portal, um assustador e horrível dragão! A sua tripla língua movia-se por entre as suas mandíbulas, repletas de dentes afiados. O seu corpo escamoso deslizava no pavimento e a sua longa cauda oscilava em movimentos serpenteados.

 

 

Poliphilo aterrorizado divaga sobre os heróis gregos da mitologia. De repente repara que o dragão lança um fumo que suspeita ser provávelmente  venenoso. Tremendo, evoca a protecção de todos os poderes divinos, e sem mais demora, resolve voltar atrás, precipitando-se rápidamente por entre a escuridão.

Poliphilo deu várias voltas, fez desvios, percorreu muitos caminhos divergentes que o fizeram pensar encontrar-se num inextricável Labirinto, como o do sábio Dédalo, ou o de Porsena, pois continha tantos desvios com várias entradas sem saída mas que obrigavam a voltar a percorrer os mesmos caminhos errados. Embora a sua visão já estivesse adaptada à escuridão, continuava sem conseguir distinguir nada, por isso caminhava com os braços estendidos para a frente, evitando e reconhecendo possíveis obstáculos. E assim sentiu o impacto das massivas fundações da montanha e do Templo-Pirâmide. Ainda frequentemente voltava a cabeça para a entrada para ver se o dragão o seguia, mas a luz tinha desaparecido totalmente. Poliphilo encontrava-se nas escuras entranhas das cavernas subterrâneas, numa situação de grande medo e perigo mortal, tal como estiveram vários heróis da Antiguidade. O seu estado de desespero e terrol total ainda se agravou quando ouviu o bater de asas de morcegos à volta da sua cabeça. Poliphilo lembrou-se então do lobo que tinha visto no início desta sua viagem, questionando-se se teria sido um sinal de mau agoiro da sua miserável situação presente, o que aumentou o seu receio e reforçou a sua angústia.

 

Novamente o tema do Labirinto surge nesta etapa: desta vez é o próprio Poliphilo que tem que encontrar o caminho, evocando os labirintos de Dédalo, conforme o mito, e o o labirinto designado de Porsena. Lars Porsena terá sido um rei etrusco, cujo lendário e grandioso mausoléu construido em 500 a.C. na antiga Clusuim (Chiusi) apresentava na sua base um inextricável labirinto, onde parte dos seus túneis ainda podem ser percorridos.

O Labirinto é considerado pelos gnósticos como um símbolo de iniciação. No seu percurso haveria um centro espiritual oculto, uma dissipação de trevas pela luz e o renascimento pessoal. Nesse sentido, a superação seria o encontro da verdade.

Os povos da Antiguidade consideravam a existência de“canais ou veias telúricas”, por onde flui a energia da Mãe-Terra. Além dos marcos conhecidos de tais pontos telúricos (os dolmens, menires, entre outros), temos os quase esquecidos Labirintos de pedra, desenhados nos lugares ditos anteriormente pagãos (locais onde, por cima, muitas Catedrais foram construídas). Também  podemos encontrar Labirintos no interior de Catedrais como, por exemplo, em Chartres. Os Labirintos seguiriam esses canais de energia telúrica do solo, dando, assim, forma ao seu complexo de passagens e corredores. Quanto à sua origem precisa, parece que já no Antigo Egipto foram encontrados vestígios de Labirintos. Na Grécia fazia parte da cultura e da mitologia do seu povo, indicando os obstáculos a serem superados para que se conseguisse alcançar determinado objectivo, tal como várias passagens mitológicas o mostram , como o fio de Ariadne e o mitológico Minotauro.

 O Labirinto também simboliza as dificuldades da Iniciação daquele que a requer. É o símbolo do lento progresso do seu retorno a si mesmo, ao seu interior, a fim de encontrar o que chamaríamos de “o bom caminho”, ou o verdadeiro caminho da Alma. No início da sua jornada o candidato desconhece o caminho a ser seguido, e o medo envolve-o. Muitas vezes o candidato deve retornar a um determinado ponto para poder seguir adiante. Isso mostra os revezes da vida, assim como as suas voltas indicam o retorno a partir de novas bases, mais sãs e mais seguras, após períodos de aprofundadas reflexões.  (via) São aspectos do que é necessário ao requerente à Iniciação na qual aparece o Labirinto, tal como surge a Poliphilo na sua viagem. Nesta etapa ele próprio tem que percorrer um Labirinto, apropriadamente situado nas entranhas da Terra, nas fundações do Templo-Pirâmide. Poliphilo tem que vencer os seus medos e encontrar o caminho certo pois só esse lhe dará acesso a um novo plano no seu renascimento pessoal, permitindo-o alcançar o seu objectivo.

Esta ideia é reforçada pela presença do Dragão, cuja simbologia está associada ao mal e ao terror, mas ao mesmo tempo também simboliza a protecção dos tesouros, quer sejam eles materiais (ouro) ou simbólicos (conhecimento). Nas mitologias de muitas tradições, o dragão é o guardião dos tesouros secretos que se deve vencer para ter acesso aos mesmos. Matar o dragão é o conflito entre a luz e escuridão, é exterminar as forças do mal. Lutar e vencer o dragão traduz a iniciação e a evolução através da provação.

Poliphilo tentava por tudo ouvir se o monstro o perseguia, parecia-lhe que estava perto. Sentia-se perdido, miserável, pensou que naquele momento a morte até seria bem vinda. Apodera-se dele um conflito interior, pois no seu íntimo rejeita essa ideia, a morte que impediria a consumação do seu imenso amor e o desfrutar dos seus resultados, dos seus desejos, da sua imaginação. Poliphilo fala consigo próprio e acaba por regressar aos seus habituais objectos de pensamento: a amada Polia e a sua preciosa vida. Expressa a angústia de poder ter uma morte terrível e sente que a sua alma chegou à exasperação. Compreende então que para escapar a tão temível destino teria que fazer alguma coisa rápidamente. Mas não sabe o que fazer, sente-se sem forças, quase a desmaiar. E chegado a este estado apela aos deuses e ao seu próprio engenho. E é então que começa a vislumbrar uma luz ténue. Rápidamente avança na sua direcção até ver uma tocha ardendo num altar sagrado, com três estátuas de ouro. Poliphilo faz uma pausa para orar. Os seus ouvidos ainda estão em alerta pois ainda não perdeu o medo. Consegue ver algumas estátuas na escuridão e à sua volta surgem longos túneis e passagens subterrâneas que percorrem as entranhas da montanha. Assim que deixa o altar vê novamente a pequena luz ténue, que parece brilhar através de um tubo estreito. Ao vê-la o coração de Poliphilo enche-se de alegria! De algum modo sente-se mais confiante e esperançoso, e volta a lembrar-se de Polia, renovando o seu amor por ela. Agora parece que recuperou as energias. Encheu-se de coragem e retomou o seu caminho incerto, e quanto mais se aproximava do seu objectivo mais visível ele se tornava. Poliphilo apela à protecção divina, e agradece à Fortuna e a Polia que o acompanham e o vão salvar. E assim alcança finalmente uma ampla saída, e sem hesitar sai para fora do túnel. Verifica então que se encontra num local agradável, mas não se atreve a parar por ainda recear a perseguição do dragão. Mas sente-se desconfiado, embora todos os dados o incitem a prosseguir: primeiro, a paisagem amena deste belo local, depois o receio que ainda o impele a continuar, mas sobretudo o seu eterno desejo de ver e descobrir coisas que deverão ser desconhecidas dos mortais. Estes motivos justificam que entre nesta região e avançe o mais longe possível até encontrar um local onde possa parar para se acalmar. Nesse momento veio-lhe à memória a imagem do pequeno rato branco que lhe havia aparecido na entrada do Portal quando estava prestes a entrar, e que na altura interpretou como um encorajamento, pois é um sinal de bons auspícios.

Poliphilo decide então confiar na benevolente Fortuna, que sempre lhe ofereceu prosperidade e boa sorte, e é com este pensamento que avança por entre a região desconhecida. Mas continua com pensamentos contraditórios: agora ocorre-lhe se não estará de algum modo a ir contra a lei ao entrar naquela zona. Mas mesmo que optasse por voltar atrás também já não sabe o caminho de volta. Continua a caminhada ainda recordando o efeito assustador do aparecimento do dragão. Ao observar a paisagem agradável em seu redor conclui que não seria de admirar que fosse habitada por espíritos divinos,heróis, vários tipos de ninfas e deuses antigos. À medida que avança e se deslumbra com os campos férteis e repletos de àrvores de frutos, Poliphilo deixa para trás os seus receios e maiores apreensões , não, porém, sem pedir à luz divina e ao seu engenho para o orientarem e acompanharem na sua viagem por esta região.

(continua)

 

 

 

 

O Espaço X

11/05/2010

Uma pequena pérola espacial dos The XX. “Basic Space”.

 

A Real Cascata (II)

04/05/2010

 

 

Como vimos anteriormente, o jardim de buxo da Quinta Real de Caxias encontra-se atravessado por uma malha geométrica de arruamentos, dos quais se destacam a Rua da Imperatriz e a Rua de Hércules. Nesta, que  conduz à Cascata, encontra-se sobre uma peanha  a escultura da deusa Ceres, provável alusão  ao Verão (a escultura existente é uma réplica da original). No entanto, esta escultura não fazia parte do primeiro núcleo de esculturas de terracota de Machado de Castro para a Cascata, sendo posterior a 1798.

 Verão

 

Contráriamente a algumas hipóteses divulgadas, esta estátua deverá antes fazer parte de um conjunto de mais três existente ao fundo desta mesma alameda (nº11 na legenda abaixo), exactamente no local oposto ao da cascata (nº1 na legenda). Estas estátuas apoiam-se em peanhas iguais mas, devido ao seu estado de degradação, foram retiradas para restauro, encontrando-se em seu lugar umas silhuetas do que serão as suas formas… A informação presente no lugar não esclarece a sua identidade, mas possívelmente poderiam ser mesmo as personificações  das restantes Quatro Estações, uma temática característica destes espaços ajardinados. 

 

 

Também da mesma altura tardia é a escultura que se encontra  na transição da clareira frente à Cascata, e o jardim de buxo, representando a  figura de um Guarda Romano, munido de escudo, envergando couraça e túnica, e, provávelmente segurando o gládio, que representaria o guardião do recinto sagrado onde se encontrava a deusa Diana. De notar que em frente a esta figura, no outro extremo do buxo, encontrava-se uma  escultura de  um outro Guarda, (agora também substituído por uma silhueta), reforçando a ideia da entrada num espaço sagrado.

 

Espaço frente à Cascata (e visto desta): a entrada no recinto sagrado guardada pelos soldados romanos.

 

Guarda romano

 

A Rua de Hércules, ladeada por duas palmeiras de grandes dimensões, encaminha-se directamente para a grande Cascata e para o lago de Diana, que domina todo o espaço. É ela o pano de fundo de todo o jardim, o motivo principal de todo o cenário composto pelos elementos escultóricos, arquitectónicos e naturais (as estátuas, os pavilhões e as frondosas  araucárias, palmeiras e buxos).

 De formas naturalistas, e com uma espécie de gruta, a denunciar a imitação da natureza que caracteriza o jardim barroco da segunda metade do século XVIII , esta é uma das cascatas mais significativas da área de Lisboa. Desenvolve-se no sentido vertical, com inúmeras formas e reentrâncias por onde escorre a água, e culmina num pavilhão de planta oitavada, sendo revestida com pedra ao natural, e ornada com urnas e pináculos com embrechados de cerâmicas comuns e conchas. A partir dela estendem-se lateralmente três andares de estreitos terraços com alegretes, ligados por escadas e preenchidos por vegetação. 
  
 
 
 
  

   

 

 

Pinturas nos muros dos terraços com tromp l'oeil de nichos com pináculos

 

 

 

 

 

A Cascata em funcionamento

 

 

A Cascata em 1900

No  interior da Cascata encontram-se uma série de corredores abobadados e galerias, a formar um intrincado labirinto enquadrado por arcos e escadarias. Aqui a  humidade contrasta fortemente com o calor do jardim, contribuindo para o jogo de sentidos que os espaços de lazer barrocos propunham.

 

A Cascata constitui o elemento cénico por excelência deste espaço quer pela sua aproximação à Natureza quer pelo gosto naturista na sua concepção em pedra ao natural, e cuja construção se ficou a dever a Matias Francisco, mestre natural de Linda-a-Pastora, no decurso da segunda metade do século XVIII.

                                                                                                                                                                                                                          

                                                                                                                                                                                                                                                      (continua…)

 

 

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