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Hypnerotomachia (6)

07/09/2010

 

Após ter descrito detalhadamente e com grande entusiasmo, o magnífico Portal do Templo-Pirâmide, elemento fundamental na continuidade e evolução simbólica da narrativa, Poliphilo vai finalmente atravessá-lo…

CAPÍTULO VI

“Poliphilo entra no Portal e encontra o Dragão”

 

Poliphilo ainda está  surpreendido com o magnífico edifício e o seu belo Portal, constatando que fácilmente ultrapassam em grandiosidade outras famosas obras da Arquitectura e Escultura da Antiguidade, das quais refere vários exemplos, como as Pirâmides do Egipto, Anfiteatros, Termas e Aquedutos romanos, as mais notáveis esculturas de Apolo, Júpiter e Hércules, o famoso labirinto do Egipto, etc…, que muito provávelmente, pensa Poliphilo, o historiador iria menosprezar se conhecesse aquele edifício, glorificando-o como “o milagre mais grandioso de todos.”

Poliphilo ainda se interroga se por acaso todos aqueles fragmentos e ruínas da Antiguidade que tanta admiração lhe causaram, se estivessem completos, que emoções seriam capazes de lhe despertar. Imagina a possibilidade de serem vestígios de um venerável altar de sacrifícios misteriosos, ou de uma estátua da divina Vénus, ou o altar sagrado de Afrodite e seu filho. Embrenhado nestas divagações ao entrar no Portal, Poliphilo avista um pequeno rato branco correndo à sua frente. Movido pela curiosidade, avança para dentro até ao luminoso àtrio de entrada, sempre observando tudo com grande atenção e respeito.

Verifica que as paredes são de mármore polido como espelho, e contempla esplêndidos mosaicos. O chão, construído com finas tesselas, está imaculado, tal como o tecto, que é abobadado e com excelentes relevos de pequenas figuras de monstros marinhos semi-humanos por entre as ondas do mar. Alguns tocam flauta ou outros instrumentos fantásticos, enquanto outros conduzem estranhas carruagens puxadas por golfinhos. Uns têm coroas de flores, outros parecem utilizá-las como armas, vários fazem jogos festivos, com gestos vivos e expressivos. Na face interior das aduelas do arco, Poliphilo observou um elaborado trabalho de mosaico vidrado de cores atractivas. As cenas, minuciosamente executadas, mostravam determinados episódios da mitologia grega que surgem em pequenos quadros:

uma jovem donzela montada num soberbo touro é levada pelo mar até Creta;

Trata-se da representação do episódio do Rapto de Europa. É o primeiro quadro de uma série que conta episódios da mitologia grega  relacionados com o Touro de Creta,   uma criatura que viveu naquela ilha e que foi capturada por Héracles , (Hércules romano) num dos seus famosos trabalhos.

 Neste mito  o touro de Creta é associado a Europa, a lindíssima filha de Agenor, rei de Tiro (Fenícia). A versão mais conhecida da lenda conta que Europa foi raptada por Zeus, que tomou a forma de um belo touro branco e levou-a para Creta, onde ela se casou com Asterion. Outra versão, no entanto, rejeita a metamorfose do próprio deus, e afirma que Zeus na verdade enviou o touro de Creta para seduzir a princesa.

a ordem dada por Agenor, rei de Tiro, aos seus filhos Cadmo, Fénix e Cílix para irem resgatar a sua irmã raptada;

estes, não tendo conseguido cumprir a sua missão, percorreram várias regiões. Tiveram que matar enérgicamente um escamoso dragão para poderem beber água de uma fonte. Depois, após terem consultado o oráculo, foi-lhes dito por Apolo que deveriam construir uma cidade no local onde um novilho que seguissem caísse de cansaço;

esse país é até aos nossos dias, e eternamente, conhecido por Boécia. Finalmente Cadmo fundou Atenas, o segundo irmão a Fenícia e o terceiro a Cilícia.

 

Quando Europa foi raptada por Zeus, o pai, o rei Agenor, ordenou aos três filhos que fossem à sua procura e que não voltassem sem ela. Durante o seu périplo, os irmãos de Europa fundaram várias cidades e por fim acabaram por se estabelecer definitivamente em outras regiões. Fênix  instalou-se na Fenícia, Cílix na Cilícia  e Cadmo, na Grécia.

Cadmo viajou acompanhado da mãe, e dirigiu-se inicialmente para a Trácia (ou Samotrácia), onde viveu algum tempo. Pouco depois da morte da mãe, aconselhado pelo oráculo de Delfos, parou de procurar Europa e fundou a Cadméia, a acrópole fortificada da futura cidade de Tebas. Segundo a tradição, o oráculo havia mandado Cadmo escolher o local seguindo uma vaca até que ela caísse de cansaço. Ao encontrar uma vaca com um sinal diferente, Cadmo seguiu-a até à Beócia e decidiu fundar a cidade no local onde ela parou. Antes, para obter água de uma fonte próxima, teve de matar à pedrada um dragão que guardava um bosque sagrado.

Na zona oposta a esta, e representados da mesma forma, Poliphilo contempla outros quadros que apresentam:

Pasífase, a esposa de Minos, rei de Creta, que, apaixonada, esconde-se engenhosamente no interior de uma vaca de madeira atraindo o touro de Posídon, que a seduz. Assim concebe o Minotauro, que surge aprisionado no Labirinto. Depois aparece o sábio Dédalo, que faz as asas para si e para o seu filho Ícaro, a fim de conseguirem escapar da sua prisão em Creta;

Mas desobedecendo aos conselhos do pai, Ícaro cai e morre no mar chamado Icário (actual mar Egeu). Finalmente o pai, Dédalo, chega são e salvo, segurando o artefacto que construíu com penas e plumas no templo de Apolo, em cumprimento da sua promessa.

Na mitologia grega, Pasífae (ou Parsifaé) é uma das filhas de Hélio, deus do sol, e de Perseis (ou Perseida). Casou-se com Minos, filho de Zeus e da princesa  Europa

Quando a princesa Europa voltou da sua aventura com Zeus no Olimpo, casou-se com Asterion ( ou Asterios), rei de Creta.  Asterios não queria filhos, mas educou como pai os três filhos de Europa. Ao morrer, legou o seu trono a Minos, o primogénito. Inconformados com essa decisão, os dois irmãos preteridos,Sarpédon e Radamanto, passaram a disputar o poder. Minos, para provar que Creta lhe pertencia por vontade dos deuses, afirmou que os imortais lhe concederiam qualquer coisa que desejasse. Como prova, pediu a Posídon  que fizesse sair um touro do mar Egeu. Fez-lhe a promessa de que, depois, sacrificar-lhe-ia o touro em holocausto. Posídon mandou um magnífico touro branco de grandes chifres dourados. Diante dessa prova de legitimidade, enviada pelos deus supremo dos mares, os irmãos de Minos reconheceram-no como soberano da ilha.

Minos, no entanto, levou o belo touro para fazer parte de seu rebanho e sacrificou, em vez dele, um animal comum. Com punição pelo não cumprimento da promessa, Posídon transformou o touro num animal indomável, furioso, que passou a atacar os habitantes da ilha. Além disso, pediu a Afrodite, deusa do amor, que fizesse com que Pasífae se apaixonasse pelo touro.

Para concretizar a sua paixão, Pasífae pediu ao inventor Dédalo (pai de Ícaro) que construísse uma vaca de madeira tão perfeita que enganasse o touro. Ela  escondeu-se dentro da vaca e assim conseguiu o seu intento. Dessa união nasceu o Minotauro, um ser monstruoso, metade touro, metade homem. Envergonhado pela prova da traição de sua esposa, Minos encerrou o monstro num labirinto que Dédalo construiu junto ao seu palácio, em Cnossos

O Minotauro acabou por ser morto por Teseu, herói que conseguiu superar o complexo labirinto de Creta saindo vivo dele, o que levou o rei Minos a prender Dédalo e Ícaro no labirinto. Minos temia que o arquiteto revelasse os segredos da sua construção. No entanto, Dédalo, na sua sabedoria, teve a idéia de fugir do labirinto pelo céu, pois o mesmo não tinha tecto. Para tanto, construiu asas artificiais com as penas dos pássaros que voavam sobre o labirinto e que nele faziam seus ninhos, coladas com cera das abelhas que os mesmos recolhiam.  O único perigo, segundo Dédalo alertara a seu filho, seria a cera derreter, caso a altitude do vôo fosse maior, portanto mais próxima do sol.  Ícaro, encantando com a experiência de voar, não atendeu as recomendações do pai, e voou a uma altitude superior. As suas asas derreteram e Ícaro caiu no mar, para o desespero de Dédalo, que chorou a morte do filho por toda a sua vida.

O Minotauro representa o ser humano consumido pelos seus desejos e o conflito entre o lado humano e o bestial, existente em todos nós. O monstro precisava ser preso e o rei mandou Dédalo construir-lhe uma prisão: o Labirinto.O labirinto foi, na verdade, um complexo palácio erguido na Ilha de Creta, a fim de que não fosse invadido e, também, um mosaico desenhado no chão onde se dançava em honra dos deuses da fertilidade. Até hoje, ambos existem em Creta. O Minotauro, preso no labirinto, exigia carne humana de atenienses, para comer de 9 em 9 anos: representa o homem obcecado pelo seu apetite devorador e que nada lhe contém. O labirinto é o emaranhado de desejos e sensações físicas e materiais do ser humano.

O simbolismo do Touro está ligado à ideia da “terra-mãe, que tem a função de concretizar, de tornar realidade as ideias, as criações que vêm do mundo da imaginação, mas tem também uma outra função: espiritualizar matéria e dominar os sentidos. É interessante nos remeter aos trabalhos de Hércules para ver como é antiga esta atribuição de Touro. No segundo trabalho, Hércules foi incumbido de trazer para o continente e levar para o templo um touro que se achava em uma ilha. Tendo achado o touro, o herói não o mata, mas monta em suas costas, como Lao Tsé. Montar um touro significa ter o controle sobre ele, sobre que ele representa de força instintiva, sensualidade, desejos e apegos. Ter controle sobre e não matar, sufocar ou reprimir. Levar o touro da ilha para o continente significa reconhecer nossas partes isoladas, desequilibradas e integrá-las no todo da personalidade. Levá-lo para o templo significa reconhecer a sacralidade dos instintos e do mundo material.” (via)

Parece assim que os mosaicos do arco do Portal com as representações à volta do Touro de Creta recordam a Poliphilo o lado da matéria, das sensações e dos instintos que ele vai ter que controlar se quiser alcançar o Amor de Polia, não renunciando ao corpo mas sabendo dominá-lo. Por outro lado revelam  a  ligação e importância, da Grécia , da Fenícia  e de Creta (cultura minóica) como civilizações do Mediterrâneo fundamentais no mundo Antigo, que simultâneamente  partilham o simbolismo do Touro.

Poliphilo estava extasiado com todas aquelas cenas tão belas, de perfeita composição e ordem, perservadas sem qualquer dano. Representavam-se detalhes refinados das águas, fontes, montanhas, colinas, florestas e animais, cujas cores se desvaneciam em jogos de profundidade e luz. Poliphilo sente-se tão absorvido que parece estar quase inconsciente. E é desta forma que chega ao final do átrio de entrada, onde as cenas terminavam, existindo para além delas uma escuridão tão densa que Poliphilo não ousa prosseguir. Prepara-se para voltar para trás quando de repente ouve um som semelhante ao partir de ossos e ao quebrar de ramos. Poliphilo ficou imobilizado, e então ouve um som semelhante ao arrastar de uma carcaça de um grande touro pelo chão coberto de ruínas. Á medida que o som aumentava e parecia aproximar-se da entrada,  ouve o assobio de uma serpente gigante, e fica estarrecido. Não conseguia dizer nada nem sentia segurança em fugir para a escuridão. Mas então de repente, apareceu, no limiar do Portal, um assustador e horrível dragão! A sua tripla língua movia-se por entre as suas mandíbulas, repletas de dentes afiados. O seu corpo escamoso deslizava no pavimento e a sua longa cauda oscilava em movimentos serpenteados.

 

 

Poliphilo aterrorizado divaga sobre os heróis gregos da mitologia. De repente repara que o dragão lança um fumo que suspeita ser provávelmente  venenoso. Tremendo, evoca a protecção de todos os poderes divinos, e sem mais demora, resolve voltar atrás, precipitando-se rápidamente por entre a escuridão.

Poliphilo deu várias voltas, fez desvios, percorreu muitos caminhos divergentes que o fizeram pensar encontrar-se num inextricável Labirinto, como o do sábio Dédalo, ou o de Porsena, pois continha tantos desvios com várias entradas sem saída mas que obrigavam a voltar a percorrer os mesmos caminhos errados. Embora a sua visão já estivesse adaptada à escuridão, continuava sem conseguir distinguir nada, por isso caminhava com os braços estendidos para a frente, evitando e reconhecendo possíveis obstáculos. E assim sentiu o impacto das massivas fundações da montanha e do Templo-Pirâmide. Ainda frequentemente voltava a cabeça para a entrada para ver se o dragão o seguia, mas a luz tinha desaparecido totalmente. Poliphilo encontrava-se nas escuras entranhas das cavernas subterrâneas, numa situação de grande medo e perigo mortal, tal como estiveram vários heróis da Antiguidade. O seu estado de desespero e terrol total ainda se agravou quando ouviu o bater de asas de morcegos à volta da sua cabeça. Poliphilo lembrou-se então do lobo que tinha visto no início desta sua viagem, questionando-se se teria sido um sinal de mau agoiro da sua miserável situação presente, o que aumentou o seu receio e reforçou a sua angústia.

 

Novamente o tema do Labirinto surge nesta etapa: desta vez é o próprio Poliphilo que tem que encontrar o caminho, evocando os labirintos de Dédalo, conforme o mito, e o o labirinto designado de Porsena. Lars Porsena terá sido um rei etrusco, cujo lendário e grandioso mausoléu construido em 500 a.C. na antiga Clusuim (Chiusi) apresentava na sua base um inextricável labirinto, onde parte dos seus túneis ainda podem ser percorridos.

O Labirinto é considerado pelos gnósticos como um símbolo de iniciação. No seu percurso haveria um centro espiritual oculto, uma dissipação de trevas pela luz e o renascimento pessoal. Nesse sentido, a superação seria o encontro da verdade.

Os povos da Antiguidade consideravam a existência de“canais ou veias telúricas”, por onde flui a energia da Mãe-Terra. Além dos marcos conhecidos de tais pontos telúricos (os dolmens, menires, entre outros), temos os quase esquecidos Labirintos de pedra, desenhados nos lugares ditos anteriormente pagãos (locais onde, por cima, muitas Catedrais foram construídas). Também  podemos encontrar Labirintos no interior de Catedrais como, por exemplo, em Chartres. Os Labirintos seguiriam esses canais de energia telúrica do solo, dando, assim, forma ao seu complexo de passagens e corredores. Quanto à sua origem precisa, parece que já no Antigo Egipto foram encontrados vestígios de Labirintos. Na Grécia fazia parte da cultura e da mitologia do seu povo, indicando os obstáculos a serem superados para que se conseguisse alcançar determinado objectivo, tal como várias passagens mitológicas o mostram , como o fio de Ariadne e o mitológico Minotauro.

 O Labirinto também simboliza as dificuldades da Iniciação daquele que a requer. É o símbolo do lento progresso do seu retorno a si mesmo, ao seu interior, a fim de encontrar o que chamaríamos de “o bom caminho”, ou o verdadeiro caminho da Alma. No início da sua jornada o candidato desconhece o caminho a ser seguido, e o medo envolve-o. Muitas vezes o candidato deve retornar a um determinado ponto para poder seguir adiante. Isso mostra os revezes da vida, assim como as suas voltas indicam o retorno a partir de novas bases, mais sãs e mais seguras, após períodos de aprofundadas reflexões.  (via) São aspectos do que é necessário ao requerente à Iniciação na qual aparece o Labirinto, tal como surge a Poliphilo na sua viagem. Nesta etapa ele próprio tem que percorrer um Labirinto, apropriadamente situado nas entranhas da Terra, nas fundações do Templo-Pirâmide. Poliphilo tem que vencer os seus medos e encontrar o caminho certo pois só esse lhe dará acesso a um novo plano no seu renascimento pessoal, permitindo-o alcançar o seu objectivo.

Esta ideia é reforçada pela presença do Dragão, cuja simbologia está associada ao mal e ao terror, mas ao mesmo tempo também simboliza a protecção dos tesouros, quer sejam eles materiais (ouro) ou simbólicos (conhecimento). Nas mitologias de muitas tradições, o dragão é o guardião dos tesouros secretos que se deve vencer para ter acesso aos mesmos. Matar o dragão é o conflito entre a luz e escuridão, é exterminar as forças do mal. Lutar e vencer o dragão traduz a iniciação e a evolução através da provação.

Poliphilo tentava por tudo ouvir se o monstro o perseguia, parecia-lhe que estava perto. Sentia-se perdido, miserável, pensou que naquele momento a morte até seria bem vinda. Apodera-se dele um conflito interior, pois no seu íntimo rejeita essa ideia, a morte que impediria a consumação do seu imenso amor e o desfrutar dos seus resultados, dos seus desejos, da sua imaginação. Poliphilo fala consigo próprio e acaba por regressar aos seus habituais objectos de pensamento: a amada Polia e a sua preciosa vida. Expressa a angústia de poder ter uma morte terrível e sente que a sua alma chegou à exasperação. Compreende então que para escapar a tão temível destino teria que fazer alguma coisa rápidamente. Mas não sabe o que fazer, sente-se sem forças, quase a desmaiar. E chegado a este estado apela aos deuses e ao seu próprio engenho. E é então que começa a vislumbrar uma luz ténue. Rápidamente avança na sua direcção até ver uma tocha ardendo num altar sagrado, com três estátuas de ouro. Poliphilo faz uma pausa para orar. Os seus ouvidos ainda estão em alerta pois ainda não perdeu o medo. Consegue ver algumas estátuas na escuridão e à sua volta surgem longos túneis e passagens subterrâneas que percorrem as entranhas da montanha. Assim que deixa o altar vê novamente a pequena luz ténue, que parece brilhar através de um tubo estreito. Ao vê-la o coração de Poliphilo enche-se de alegria! De algum modo sente-se mais confiante e esperançoso, e volta a lembrar-se de Polia, renovando o seu amor por ela. Agora parece que recuperou as energias. Encheu-se de coragem e retomou o seu caminho incerto, e quanto mais se aproximava do seu objectivo mais visível ele se tornava. Poliphilo apela à protecção divina, e agradece à Fortuna e a Polia que o acompanham e o vão salvar. E assim alcança finalmente uma ampla saída, e sem hesitar sai para fora do túnel. Verifica então que se encontra num local agradável, mas não se atreve a parar por ainda recear a perseguição do dragão. Mas sente-se desconfiado, embora todos os dados o incitem a prosseguir: primeiro, a paisagem amena deste belo local, depois o receio que ainda o impele a continuar, mas sobretudo o seu eterno desejo de ver e descobrir coisas que deverão ser desconhecidas dos mortais. Estes motivos justificam que entre nesta região e avançe o mais longe possível até encontrar um local onde possa parar para se acalmar. Nesse momento veio-lhe à memória a imagem do pequeno rato branco que lhe havia aparecido na entrada do Portal quando estava prestes a entrar, e que na altura interpretou como um encorajamento, pois é um sinal de bons auspícios.

Poliphilo decide então confiar na benevolente Fortuna, que sempre lhe ofereceu prosperidade e boa sorte, e é com este pensamento que avança por entre a região desconhecida. Mas continua com pensamentos contraditórios: agora ocorre-lhe se não estará de algum modo a ir contra a lei ao entrar naquela zona. Mas mesmo que optasse por voltar atrás também já não sabe o caminho de volta. Continua a caminhada ainda recordando o efeito assustador do aparecimento do dragão. Ao observar a paisagem agradável em seu redor conclui que não seria de admirar que fosse habitada por espíritos divinos,heróis, vários tipos de ninfas e deuses antigos. À medida que avança e se deslumbra com os campos férteis e repletos de àrvores de frutos, Poliphilo deixa para trás os seus receios e maiores apreensões , não, porém, sem pedir à luz divina e ao seu engenho para o orientarem e acompanharem na sua viagem por esta região.

(continua)

 

 

 

 

2 comentários leave one →
  1. Flávia Centurion permalink
    30/03/2012 14:16

    Quando teremos os próximo capitulos ? estou amando acompanhar belo blog.

    • 30/03/2012 16:50

      Olá
      obrigada pelo interesse!
      infelizmente tenho abandonado o meu blog….mas não totalmente!…esta história é muito complexa e tenho que ir traduzindo e pesquisando… esteja atenta que voltarei para continuar!… obrigada mais uma vez!

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