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Um Sol misterioso

13/10/2010

 (fotos da época do jornal “O Século”)

 

Assinala-se hoje mais um ano sobre a data da sexta, e última  aparição de Nossa Senhora, do ciclo iniciado em Maio, traduzida naquele que continua a ser um fenómeno sem explicação credível : o chamado “Milagre do Sol”.

Com efeito, foi no dia 13 de Outubro de 1917  que milhares de pessoas aguardaram no local chamado Cova da Iria, em Fátima, um ‘sinal’ prometido, segundo a  Igreja Católica, pela “Virgem Maria” aos Três Pastorinhos, três crianças de apenas dez, nove e oito anos (Lúcia, Francisco e Jacinta).

 De acordo com os relatos da época, o grande número dos que assistiram ao fenómeno variava entre os “trinta a quarenta mil” segundo Avelino de Almeida, que relatou o seu testemunho no jornal “O Século” , a cem mil, segundo estimativa de José de Almeida Garrett, professor de ciências naturais na Universidade de Coimbra, que também presenciou o acontecimento. 

Notícia do jornal "O Século"

                                                          (ver Aqui e Aqui mais páginas do “Século”)

As crianças tinham relatado em datas anteriores que Nossa Senhora tinha prometido um milagre para o meio-dia de 13 de Outubro, “de modo que todos pudessem acreditar.”

Não cabe aqui formular uma explicação, mas antes salientar aspectos dos testemunhos da altura, que, confrontados com outros dados, podem apontar para outras reflexões e modos de ver que se devem perfilar distantes das estritas interpretações oficiais.

“De acordo com muitas indicações das testemunhas, após uma chuva torrencial, as nuvens desmancharam-se no firmamento e o Sol apareceu como um disco opaco, girando no céu. Disse-se ser significativamente menos brilhante do que o normal, acompanhado de luzes multicoloridas, que se reflectiram na paisagem, nas pessoas e nas nuvens circunvizinhas . Foi relatado que o  Sol se teria movido com um padrão de ziguezague , assustando muitos daqueles que o presenciaram, que pensaram ser o fim do mundo . Muitas testemunhas relataram que a terra e as roupas previamente molhadas ficaram completamente secas, num curto intervalo de tempo .

De acordo com relatórios das testemunhas, o Milagre do Sol durou aproximadamente dez minutos . As três crianças relataram terem observado Jesus, a Virgem Maria e São José abençoando as pessoas.”(Wilkipédia)

Avelino de Almeida faz no Século um relato emocionado:

“E assiste-se então a um espectáculo único e inacreditável para quem não foi testemunha d’ele. Do cimo da estrada, onde se aglomeram os carros e se conservam muitas centenas de pessoas, a quem escasseou valor para se meter á terra barrenta, vê-se toda a imensa multidão voltar-se para o sol, que se mostra liberto de nuvens, no zênite. O astro lembra uma placa de prata fosca e é possível fitar-lhe o disco sem o mínimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-ia estar-se realizando um eclipse. Mas eis que um alarido colossal se levanta, e aos espectadores que se encontram mais perto se ouve gritar:

– Milagre, milagre! Maravilha, maravilha!

 Aos olhos deslumbrados d’aquele povo, cuja atitude nos transporta aos tempos bíblicos e que, pálido de assombro, com a cabeça descoberta, encara o azul, o sol tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos bruscos fora de todas as leis cósmicas – o sol «bailou», segundo a típica expressão dos camponeses… “(…)

E, a seguir, perguntam uns aos outros se viram e o que viram. O maior numero confessa que viu a tremura, o bailado do sol; outros, porém, declaram ter visto o rosto risonho da própria Virgem, juram que o sol girou sobre si mesmo como uma roda de fogo de artifício, que ele baixou quase a ponto de queimar a terra com os seus raios… Ha quem diga que o viu mudar sucessivamente de cor… São perto de quinze horas.

O céu está varrido de nuvens e o sol segue o seu curso com o esplendor habitual que ninguém se atreve a encarar de frente.”

Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos, revelou nas suas Memórias as visões extraordinárias que teve enquanto Nossa Senhora comandava o Milagre do Sol no céu de Fátima:

“E abrindo as mãos, Nossa Senhora projetou feixes de luz que refletiram no Sol. E enquanto se elevava da azinheira para o Céu, continuava o reflexo da Sua própria luz a projetar-se no Sol.”

“Então, eu gritei:

Olhem, olhem para o Sol!”

“O meu fim não era chamar para si a atenção do povo, pois que nem sequer me dava conta da sua própria presença. Fi-lo apenas levada por um movimento interior que a isso me impeliu.”

Naquele exato momento “as nuvens desapareceram num instante, a chuva terminou e apareceu o sol que tinha uma cor prateada e não cegava”.

  “Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do Sol, São José com o Menino Jesus e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. São José com o Menino Jesus pareciam abençoar o Mundo com uns gestos que faziam com a mão em forma de cruz.”

Uma enorme quantidade de depoimentos de testemunhas do Milagre do Sol, relatam os mesmos acontecimentos:

“Era como um disco de vidro fosco iluminado por detrás e girando sobre si mesmo, dando a impressão que estava caindo sobre nossas cabeças.”

“Olhei fixamente para o sol que parecia pálido, não feria meus olhos. Parecendo uma bola de neve, ele girava sobre si mesmo; de repente pareceu cair em ziguezague.”

“O sol começou a rodar em círculos de todas as cores. Era como uma roda de fogos de artifício, caindo sobre o chão.”

“Olhei para o sol e o vi girando como um disco, rolando sobre si mesmo. Vi as pessoas mudando de cor, tomando as cores do arco-íris.

Também J.M.Garret relatou:

“Seria 1h30 da tarde quando surgiu, no sítio exato onde estavam as crianças, uma coluna de fumo, fino, delicado e azulado, que se extendia talvez uns dois metros por cima das suas cabeças e se evaporava a essa altura. Este fenómeno, perfeitamente visível ao olho nu, durou uns segundos. Não tendo notado quanto durou, não posso dizer se foi mais ou menos de um minuto. O fumo dissipou repentinamente, e depois de algum tempo, voltou a aparecer uma segunda vez, e depois uma terceira.

“O céu, que tinha estado encoberto todo o dia, de repente se aclarou; a chuva parou e parecia que o sol ia encher de luz a paisagem que a manhã de inverno tinha tornado tão triste. (…) O sol, uns momentos antes, tinha penetrado a camada espessa de nuvens que o escondiam e agora brilhava claro e intensamente.
“Sùbitamente ouvi o alvoroço de milhares de vozes e vi toda a multitude espalhada nesse espaço vasto aos meus pés… virar as costas ao sítio onde, até então, todas as suas espetativas estavam focadas, e olhar para o sol no outro lado.

Eu também me virei para o ponto que comandava o seu olhar e pude ver o sol, como um disco muito claro com uma margem muito aguda, que vislumbrava sem ferir a vista. (…)A coisa mais espantosa era poder olhar para o disco solar por muito tempo, brilhando com luz e calor, sem ferir os olhos ou prejudicar a retina. [Durante este tempo], o disco do sol não se manteve imóvel, teve um movimento vertiginoso, não como a cintilação de uma estrela em todo o seu brilho, pois girou sobre si mesmo nu rodopio louco.

“Durante este fenómeno solar, que acabo de descrever, houve também mudanças de cor na atmosfera. Olhando para o sol, notei que tudo se escurecia. Olhei primeiro para os objetos mais perto e depois extendi a minha vista ao longo do campo até ao horizonte. Vi que tudo tinha assumido cor de ametista. Os objetos à minha volta, o céu e a atmosfera, eram da mesma cor. Tudo perto e longe tinha mudado, tomando a cor de velho damasco amarelo. As pessoas pareciam que sufriam de icterícia e lembro-me de uma sensação de divertimento ao vê-los tão feios e repulsivos. A minha mão estava da mesma cor.

“Então, de repente, ouviu-se um clamor, um grito de agonia vindo de toda a gente. O sol, girando loucamente, parecia de repente soltar-se do firmamento e, vermelho como o sangue, avançar ameaçadamente sobre a terra como se fosse para nos esmagar com o seu peso enorme e abrasador. A sensação durante esses momentos foi verdadeiramente terrível.

“Todos os fenómenos que descrevi foram observados por mim num estado de mente calmo e sereno sem nenhuma perturbação emocional. Cabe aos outros interpretá-los e explicá-los. Finalmente, tenho que declarar que nunca, antes ou depois de 13 de Outubro 1917, observei semelhante fenómeno solar ou atmosférico.”


Mas outros dados importantes podem fazer-nos reflectir sobre todo este fenómeno. Richard Dawkins, um importante pensador dos nossos tempos, “com uma argumentação brilhante, que recorre ao famoso ensaio do filósofo escocês David Hume (1711-76) sobre os milagres, mostra que a probabilidade de estarmos perante uma ilusão por parte das pessoas que alegadamente presenciaram o milagre é muito superior à probabilidade de o Sol efectivamente se ter movido, como os pastorinhos e as 70 mil testemunhas afirmaram:”

“Apliquemos o critério de Hume. Por um lado, é-nos pedido que acreditemos numa alucinação em massa, num artifício de luz ou numa mentira colectiva envolvendo 70 000 pessoas. Isto é reconhecidamente improvável, mas é menos improvável do que a alternativa: que o Sol realmente se moveu. O Sol que estava sobre Fátima não era, afinal, um Sol privado: era o mesmo Sol que aquecia todos os outros milhões de pessoas no lado do planeta em que era dia. Se o Sol se moveu de facto, mas o acontecimento só foi visto pelas pessoas de Fátima, então teria de se ter dado um milagre ainda mais notável: teria de ter sido encenada uma ilusão de não-movimento relativamente a todos os milhões de testemunhas que não estavam em Fátima. E isso se ignorarmos o facto de que, se o Sol se tivesse realmente deslocado à velocidade referida, o sistema solar se teria desintegrado. Não temos alternativa senão a de seguir Hume, escolher a menos miraculosa das alternativas disponíveis e concluir, contrariamente à doutrina oficial do Vaticano, que o milagre de Fátima nunca aconteceu. Além disso, não é de todo claro que nos caiba a nós explicar como é que aquelas 70 000 testemunhas foram enganadas.” (via)

Já em 2007, a propósito das comemorações dos 90 anos das Aparições, o professor jubilado de Física José Ferreira da Silva refutava a hipótese de o Sol se ter aproximado da Terra em 13 de Outubro de 1917. «Se realmente tivesse sido o Sol, ficava tudo queimado»

O antigo professor catedrático de Física da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto sublinhou que ainda não há uma explicação científica cabal para os fenómenos ocorridos em 1917.

«Não é uma questão fácil, é uma questão intrincada. É um fenómeno multifacetado. Há tentativas de explicação científica, mas a explicação científica não é cabal».

«A primeira perspectiva científica é que não terá sido o Sol que se terá movido. Se realmente houvesse uma aproximação do Sol, seria um desastre. Não estaríamos aqui», afirmou, sublinhando que teria de ter havido maremotos e outros efeitos meteorológicos em todo o planeta.

Ferreira da Silva destacava então que a própria Igreja Católica admite que «há ali uma parte subjectiva, psicológica», como interpretou o actual Papa Bento XVI, Cardeal Ratzinger, quando era perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

O físico salientava também que a maior parte das 50 a 70 mil pessoas que se concentraram em Fátima, em 13 de Outubro de 1917, não viu o chamado «milagre do Sol».

«O jornalista d`O Século diz que viu um disco que parecia de prata fosca. Ora, o Sol nunca poderia assumir essa cor», realçou Ferreira da Silva, lembrando que o fenómeno ocorreu depois de «uma manhã em que choveu copiosamente». (via)

No dia 13 de outubro de 1917, cerca de 70 mil pessoas presenciaram um fenómeno que foi considerado como uma manifestação do poder de Deus. Naquele dia estava a chover e, de repente, o Sol surgiu no céu. O que pareceu ser um disco achatado, com um contorno nitidamente definido e um brilho mutante, apareceu entre as nuvens e em seguida começou a fazer manobras com crescente velocidade. O disco solar apareceu como uma lua de prata a girar vertiginosamente sobre si mesmo, semelhante a uma roda de fogo e projectando em todas as direções feixes de luz amarela, verde, vermelha, azul e roxa, que pintavam as nuvens do céu, as árvores e a multidão imensa.

Este estranho fenómeno teve uma preparação nos anos anteriores, sob a forma de esparsos sinais no céu. Em todos os casos, três crianças foram o epicentro dos factos que acabaram por ter um belo contacto com uma entidade, imediatamente aclamada pela igreja como a Virgem Maria.

Estes factos sugerem outras leituras do fenómeno, mais ou menos fantásticas, mais ou menos possíveis,  que provávelmente não conseguiremos compreender na sua verdadeira dimensão, pois, de um modo ou de outro, ultrapassa-nos. Logicamente não foi o Sol que ‘dançou’ para a multidão naquele dia 13 de Outubro de 1917 na região de Fátima. O Astro Rei a 150 milhões de kilómetros de distância jamais poderia ter saido do seu lugar sem que isso causasse uma hecatombe na Terra e dentro do Sistema Solar. Talvez a resposta esteja relacionada com a mensagem que o pintor do Renascimento Fillipo Lippi quis deixar na sua obra “Madonna com o Menino”, de 1455:

 

 

(Um curioso detalhe no quadro, perfeitamente integrado no ambiente, onde uma personagem ao fundo parece estar posicionada a avistar um misterioso objecto oval que desliza no céu…)

O que é certo é que algo fascinante se manifestou em Fátima, e se há mensagem que possamos retirar certamente estará relacionada com o estado da situação do mundo em que vivemos e onde é preciso mudar comportamentos para com a Vida no Planeta, os Seres, a Natureza, e a Ordem do Universo.

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