Skip to content

A Real Cascata (II)

04/05/2010

 

 

Como vimos anteriormente, o jardim de buxo da Quinta Real de Caxias encontra-se atravessado por uma malha geométrica de arruamentos, dos quais se destacam a Rua da Imperatriz e a Rua de Hércules. Nesta, que  conduz à Cascata, encontra-se sobre uma peanha  a escultura da deusa Ceres, provável alusão  ao Verão (a escultura existente é uma réplica da original). No entanto, esta escultura não fazia parte do primeiro núcleo de esculturas de terracota de Machado de Castro para a Cascata, sendo posterior a 1798.

 Verão

 

Contráriamente a algumas hipóteses divulgadas, esta estátua deverá antes fazer parte de um conjunto de mais três existente ao fundo desta mesma alameda (nº11 na legenda abaixo), exactamente no local oposto ao da cascata (nº1 na legenda). Estas estátuas apoiam-se em peanhas iguais mas, devido ao seu estado de degradação, foram retiradas para restauro, encontrando-se em seu lugar umas silhuetas do que serão as suas formas… A informação presente no lugar não esclarece a sua identidade, mas possívelmente poderiam ser mesmo as personificações  das restantes Quatro Estações, uma temática característica destes espaços ajardinados. 

 

 

Também da mesma altura tardia é a escultura que se encontra  na transição da clareira frente à Cascata, e o jardim de buxo, representando a  figura de um Guarda Romano, munido de escudo, envergando couraça e túnica, e, provávelmente segurando o gládio, que representaria o guardião do recinto sagrado onde se encontrava a deusa Diana. De notar que em frente a esta figura, no outro extremo do buxo, encontrava-se uma  escultura de  um outro Guarda, (agora também substituído por uma silhueta), reforçando a ideia da entrada num espaço sagrado.

 

Espaço frente à Cascata (e visto desta): a entrada no recinto sagrado guardada pelos soldados romanos.

 

Guarda romano

 

A Rua de Hércules, ladeada por duas palmeiras de grandes dimensões, encaminha-se directamente para a grande Cascata e para o lago de Diana, que domina todo o espaço. É ela o pano de fundo de todo o jardim, o motivo principal de todo o cenário composto pelos elementos escultóricos, arquitectónicos e naturais (as estátuas, os pavilhões e as frondosas  araucárias, palmeiras e buxos).

 De formas naturalistas, e com uma espécie de gruta, a denunciar a imitação da natureza que caracteriza o jardim barroco da segunda metade do século XVIII , esta é uma das cascatas mais significativas da área de Lisboa. Desenvolve-se no sentido vertical, com inúmeras formas e reentrâncias por onde escorre a água, e culmina num pavilhão de planta oitavada, sendo revestida com pedra ao natural, e ornada com urnas e pináculos com embrechados de cerâmicas comuns e conchas. A partir dela estendem-se lateralmente três andares de estreitos terraços com alegretes, ligados por escadas e preenchidos por vegetação. 
  
 
 
 
  

   

 

 

Pinturas nos muros dos terraços com tromp l'oeil de nichos com pináculos

 

 

 

 

 

A Cascata em funcionamento

 

 

A Cascata em 1900

No  interior da Cascata encontram-se uma série de corredores abobadados e galerias, a formar um intrincado labirinto enquadrado por arcos e escadarias. Aqui a  humidade contrasta fortemente com o calor do jardim, contribuindo para o jogo de sentidos que os espaços de lazer barrocos propunham.

 

A Cascata constitui o elemento cénico por excelência deste espaço quer pela sua aproximação à Natureza quer pelo gosto naturista na sua concepção em pedra ao natural, e cuja construção se ficou a dever a Matias Francisco, mestre natural de Linda-a-Pastora, no decurso da segunda metade do século XVIII.

                                                                                                                                                                                                                          

                                                                                                                                                                                                                                                      (continua…)

 

 

One Comment leave one →
  1. 08/05/2010 13:42

    Suntuoso este cenário todo preparado em função da cascata, os jardins lembram os dos castelos do vale do Loire aqui na França. Interessante ver o tema da mitologia grega ser usado no século XVIII, ela parece realmente intemporal.
    Beijos e um bom fim de semana para você.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: