Skip to content

Natal: os segredos da Árvore

09/12/2009

[rockyou id=155342813&w=426&h=320]

(Árvores de Natal de diferentes estilos, materiais e autores.)

  

Segundo o calendário, um pouco por todo o mundo vivem-se os dias que antecedem as comemorações da Quadra de Natal, que assinalam o nascimento de Jesus, oficialmente marcado a 25 de Dezembro, muito embora  tal data seja afinal, simbólica.  

 Um dos símbolos mais associados a esta festa é a Árvore de Natal,  um pinheiro ou abeto que é enfeitado e iluminado, na noite de Natal. Esta tradição parece ter raízes muito longínquas, em várias zonas geográficas e associada a cultos antigos de vida e morte, normalmente festejados na época do ano correspondente ao mês de Dezembro. De facto, a celebração do dia de Natal a 25 de Dezembro e o  símbolo da Árvore de Natal parece terem em comum a origem nas antigas festividades pagãs do solstício de Inverno: o menor dia do ano, a partir de quando a duração do dia começa a crescer, simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão.

É possível que os antecedentes da Árvore de Natal se encontrem entre o segundo e o terceiro milénio a.C.. Naquela época, uma grande variedade de povos indo-europeus que estavam a expandir-se pela Europa e Ásia, consideravam as árvores uma expressão da energia de fertilidade da Mãe Natureza, e por isso rendiam-lhes culto. Por outro lado a árvore representava o elemento que estabelecia a ligação simbólica entre a terra e o além. Velhas mitologias  invocavam-na para representar a vida do cosmos, o crescimento, a multiplicação e a regeneração da natureza, e associavam-na a entidades imaginárias, divinas ou não.

O carvalho foi, em muitos casos, considerado a rainha das árvores. No inverno, quando as suas folhas caíam, os povos antigos costumavam colocar-lhe diferentes enfeites  para atrair o espírito da natureza, que se pensava  haver fugido.

 Entre os egípcios, o cedro era relacionado a Osíris; os gregos ligavam o abeto a Átis, a azinheira a Júpiter, o loureiro a Apolo, os germânicos colocavam presentes sob o carvalho sagrado de Odin, para as crianças irem buscar e sorrirem. Às vésperas do solstício de inverno, os pagãos da Europa do Norte, especialmente da região compreendida pelos actuais territórios da Letónia, Lituânia e Estónia, embrenhavam-se nos bosques e cortavam pinheiros. Transportavam-nos para as suas casas e colocavam-nos em vasos de terra, exactamente como acontece agora; enfeitavam-nos com guirlandas, ovos pintados e pequenos doces; por último, cantavam e dançavam em torno dos pinheiros ornamentados. Saudavam tanto o fenómeno astronómico como as colheitas obtidas no ano que findava. Na Escandinávia faziam-se sacrifícios ao deus Thor, debaixo de uma árvore bem frondosa. Nos países germânicos também era costume colocar árvores verdes em casa no início do inverno, além de plantar um pinheirinho na frente de casa ou junto das fontes, a fim de conseguir bênçãos para o lar e água potável para beber. No primeiro dia do ano, todas essas árvores eram enfeitadas com fitas, presentes e guloseimas, para garantir fartura de pão e riquezas.

Consta que  os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para dentro de suas casa no dia mais curto do ano (que é em Dezembro), como símbolo de triunfo da vida sobre a morte. Nas culturas célticas, os druidas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maçãs douradas para festividades também celebradas na mesma época do ano.

Também os romanos enfeitavam árvores com máscaras de Baco em honra de Saturno,(Cronos grego) deus da agricultura, durante as festas chamadas de “Saturnália” e “Brumália”, na mesma altura em que hoje preparamos a Árvore e celebramos o Natal.

As saturnálias eram  festividades da religião romana dedicadas ao templo de Saturno e à mítica Idade de Ouro, o tempo do início da humanidade, que foi percebido como um estado ideal, ou utopia, quando o género humano era puro e imortal. Na mitologia clássica ocorreu durante o governo de Cronos. Paz e harmonia predominaram durante esta era. Os humanos não envelheciam, mas morriam pacíficamente. A primavera era eterna e as pessoas eram alimentadas com bolotas de um grande carvalho, com frutas silvestres e mel que gotejava das árvores.  Este tempo terminou quando Prometeu deu o segredo do fogo aos homens. Então Zeus puniu os homens, permitindo que Pandora abrisse a sua caixa que originou todo o mal no mundo mortal.

A Saturnália era celebrada todos os 17 de Dezembro, mas ao longo dos tempos, foi alargada à semana completa, terminando a 23 de Dezembro. Era um período de alegria e troca de presentes. Tinha início com grandes banquetes, sacrifícios, às vezes orgias; os participantes tinham o hábito de saudar-se com io Saturnalia, acompanhado por doações simbólicas. Durante estes festejos a ordem social era subvertida: os escravos podiam considerar-se temporatiamente homens livres. Eram também  eleitas certas divindades, personificações  do mundo subterrâneo, às vezes identificadas com Saturno, às vezes com Plutão, responsável pelas almas dos defuntos, mas também protector das campanhas e das colheitas. Acreditava-se que tais divindades, saídas das profundezas do solo, vagueavam em cortejo por todo o período invernal, isto é, quando a terra repousava e era inculta por causa das condições atomosféricas. Deviam então ser aplacadas com a oferta de presentes e de festas em sua honra e, além disso, induzidas a retornar ao além, onde teriam favorecido as colheitas da estação estival.

No dia 25 de dezembro, imediatamente após a Saturnália, comemorava-se a Brumália, o nascimento do deus-sol, ou “o nascimento do Sol Invicto“. Era tido também como o do nascimento do misterioso deus persa Mitra, o “Sol da Virtude”. A data,  no Hemisfério Norte, coincidia com o solstício de inverno, o dia “mais curto do ano”, com menos horas de luz.

Em tempos remotos, também os persas  tinham os seus deuses inspirados no sol, e comemorações nos dias 24 e 25 de dezembro. No dia que corresponde ao nosso 24 de dezembro, os persas queimavam o seu deus Agni, construído a partir de um tronco de árvore, e colocavam outro, novo, em seu lugar. Com o novo deus, os dias começavam a aumentar porque, segundo supunham, o seu deus jovem estava cheio de vigor para produzir dias maiores. Adoravam-no então com diversas solenidades aparatosas e sacrifícios humanos.

As festividades romanas de Saturnália e Brumália, por estarem bem enraizadas nos costumes populares, continuaram a ser celebradas mesmo sob a influência cristã: a Igreja entendeu que devia cristianizar as festividades pagãs que os vários povos celebravam por altura do solstício de Inverno. Segundo certos eruditos, o dia 25 de dezembro foi adoptado para que a data coincidisse com essa festividade romana dedicada ao “nascimento do deus sol invencível”, (Natalis Invistis Solis), que assim está na origem da celebração do Natal, e do símbolo da Árvore, neste preciso dia. 

A tradição da Árvore foi incorporada por outros povos, especialmente pelos germânicos. No início do século VIII, quando o monge beneditino anglo-saxão Bonifácio foi autorizado pelo papa Gregório II a trabalhar como missionário na Turíngia, Alemanha central, o então futuro santo católico deparou-se com o culto generalizado da árvore. Primeiro, combateu-o duramente. Chegou a empunhar o machado e abater uma árvore sagrada erguida no topo de um monte, para mostrar a inexistência dos deuses pagãos. Depois, passou a invocar o perfil triangular do abeto como Símbolo da Santíssima Trindade, que veio substituir o carvalho, até então considerado como símbolo divino. Na Europa Central, no século XII, penduravam-se árvores com o ápice para baixo em resultado da mesma simbologia triangular da Santíssima Trindade.

Ao mesmo tempo, São Bonifácio constatou que árvores como o pinheiro, por exemplo, têm folhas perenes e resistentes. Assim, lembrariam Jesus, fonte da vida eterna.

Diz-se que foi Lutero (1483-1546), autor da reforma protestante, que após um passeio, pela floresta no Inverno, numa noite de céu limpo e de estrelas brilhantes trouxe essa imagem à família sob a forma de “Árvore de natal”, com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas, isto porque para ele o céu devia ter estado assim no dia do nascimento do Menino Jesus.

Os alemães adoptaram fácilmente a Árvore de Natal. Acrescentaram-lhe frutas, doces, velas e flores de papel colorido – as brancas para representar a inocência; as vermelhas, o conhecimento. Além disso, difundiram-na internacionalmente. Assim, a primeira referência a uma “Árvore de natal” tal como hoje a conhecemos, surgiu no século XVI e foi nesta altura que ela se vulgarizou na Europa Central, há notícias de árvores de natal na Lituânia em 1510.

Os relatos de meados do século XVII, provenientes da Alsácia (França), são de que florescimentos de árvores no dia do nascimento de Jesus, levaram os cristãos da antiga Europa a ornamentar as suas casas com pinheiros no dia do natal, única árvore que, nas imensidões da neve, permanece verde.

No início do século XVII, a Grã-Bretanha começou a importar da Alemanha a tradição da Árvore de Natal pelas mãos dos monarcas de Hannover. Contudo a tradição só se consolidou nas Ilhas Britânicas após a publicação pela “Illustrated London News”, de uma imagem da Rainha Vitória e Alberto com os seus filhos, junto à Árvore de Natal no castelo de Windsor, no natal de 1846.

Esta tradição espalhou-se por toda a Europa e chegou aos EUA aquando da guerra da independência pelas mãos dos soldados alemães. A tradição não se consolidou uniformemente dada a divergência de povos e culturas. Contudo, em 1856, a Casa Branca foi enfeitada com uma árvore de natal e a tradição mantém-se desde 1923.

 A novidade chegou a França em 1840, por iniciativa da princesa alemã Helena de Mecklemburgo, mulher do duque de Orleans. Portugal e Brasil foram adeptos ainda mais tardios.

 (texto elaborado com base numa pesquisa em vários sites)

5 comentários leave one →
  1. 09/12/2009 17:31

    Esta lindo teu diaporama com todas estas árvores de Natal! Minhas preferidas são a do origami, a das gomas e a da estante.
    Quanto à comemoração do Natal sabia que os romanos haviam cristianizado as festas pagãs do solstício de inverno, que coincide com um renascimento pois a partir dele os dias começam a se tornar mais longos.
    A família de meu marido é originária da Alsácia, na fronteira com a Alemanha e realmente nesta região as comemorações do Natal são as mais belas da França, com as feiras de Natal, o vinho quente e os magníficos enfeites das casas e das cidades.
    Muito lindo teu post, adorei!
    Um grande beijo.

    • 17/12/2009 01:52

      Olá Maria Augusta. Já há um tempo que não trocávamos umas palavrinhas, por minha culpa que não tenho tido disponibilidade para andar no blogosfera!

      Engraçado nisto tudo é que vamos verificando que já tudo estava “escrito” na antiguidade e que depois só vieram outros nomes e acrescentados mais significados.

      obrigada pelas suas sempre simpáticas palavras!

      Um grande beijo também.

  2. 21/12/2009 22:43

    Eu que achava a árvore natal fruto da golbalização. Resultado da imaginação chinesa. Afinal já os pagãos adornavam e adoravam uma árvore.

  3. 22/12/2009 13:48

    Nossa, amei seu espaço!
    E quantas árvores! E que pesquisa vc fez! Eu particularmente nunca tinha parado para pensar sobre as árvores de Natal! Adorei o blog e o post!!!

  4. 04/01/2010 17:02

    Marialynce, passei para te desejar um Ano Novo pleno de saúde e de belas realizações…e que você continue a nos brindar com teus posts sempre interessantes e cheios de ensinamentos…e que a história da Polia e do Poliphilo continue!
    Um grande beijo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: