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“Picnic em Hanging Rock” ou o mistério da Natureza

22/07/2008

Por estes dias, entre calor, férias, compromissos familiares e trabalhos diversos, é inevitável que o Polia’s acuse uma certa irregularidade… enfim, mas embora aos soluços vai continuar, porque há sempre algo (interessante…) a partilhar. Afinal, tudo é cíclico, e acabamos sempre por voltar às mesmas rotinas. Ou como diz o ditado popular , muito adequado à época, “há mar e mar, há ir e voltar…”

E a propósito de coisas interessantes, aqui á uns dias, mais precisamente no dia 13 de Julho, passou num desses “canais múltiplos do AXN”, o qual nem sabia que existia e constava do pacote do cabo, o MOV, um filme que, lamentávelmente não pude rever, mas que nunca mais esqueci desde que o vi pela primeira, e única vez, lá pelos anos 80.

Não me recordo exactamente dos pormenores da história, mas o que me marcou definitivamente,  foi a encenação da essência do que é o mistério em si mesmo. Para lá da própria história misteriosa (ou através dela) do desaparecimento de umas raparigas em Hanging Rock, uma região rochosa na Austrália, o filme, recorrendo hábilmente de cenários, personagens, poses, uma fotografia poética e uma música estranhamente admirável, compõe uma atmosfera de sonho e irrealidade,  que nos transmite um sentimento de estranheza, o qual não conseguimos explicar ou descrever, tal como é a essência do mistério. E foi isso que ficou, e a julgar pelas referências que encontrei, é mesmo essa a característica que tocou quem o viu.

A encenação do mistério começa logo no início do filme, quando a personagem Miranda profere a frase enigmática :«What we see and what we seem are but a dream; a dream within a dream.»

 Para lá das leituras a nível cultural e social do filme, muito pertinentes, e das várias personagens que vão compondo a acção, existe uma que está sempre presente e é fundamental para a leitura essencial e misteriosa do filme: a  Natureza, figurada nos agrestes rochedos de Hanging Rock. É ela que afinal domina a história e que encerra o desconhecido, é ela que inevitávelmente sai vitoriosa sobre o Homem. A Natureza revela-se assim magestosa e enigmática, mantendo-se fora do alcance do Homem, que incansávelmente tenta desvendar os seus segredos. E isto fez-me lembrar um outro filme, recente, que já referi anteriormente, “The Happening” de N.Shyamalan : mais uma vez, num ambiente de sugestões metafísicas, a força e o mistério, permanentes, da Natureza.

2 comentários leave one →
  1. 22/07/2008 08:49

    Não vi este filme, mas pelo ambiente que transmite este extrato parece ser muito interessante. E é bom quando os homens reconhecem a supremacia da natureza…
    Beijos.

  2. 22/07/2008 12:38

    Num dado momento reconhecem, mas depois voltam a tentar desbravá-la. O homem é um ser inquieto e cíclico…

    O filme é mesmo perturbador, data de 1975 e foi realizado por Peter Weir, o mesmo de “Master and Comander – Horizonte Longínquo”.

    Beijinhos!

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