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LHC : A Experiência “Big Bang”

01/07/2008

 

Resultado simulado de uma colisão no LHC

“Facto:

O maior organismo de investigação científica do mundo – o Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire (CERN) – sedeado na Suiça, conseguiu recentemente produzir as primeiras partículas de antimatéria. A antimatéria é idêntica à matéria física, só que constituída por partículas cujas cargas eléctricas são opostas às que encontramos na matéria normal.

A antimatéria é a mais poderosa fonte de energia conhecida do homem. (…)

A antimatéria é altamente instável. (…)

Até há muito pouco tempo, só tinha sido possível criar antimatéria em pequeníssimas quantidades (uns poucos átomos de cada vez). Mas o CERN acaba de inaugurar uma nova era com o seu Desacelerador de Antiprotões – uma unidade de produção de antimatéria que promete criá-la em maior quantidade.”

Dan Brown, Anjos e Demónios, Bertrand, 2005

Vem isto a propósito de uma notícia sobre a espantosa experiência do LHC, o novo colisionador de partículas do CERN, o Laboratório Europeu de Física de Partículas situado em Genebra.

Após 14 anos de investigação e planeamento, e oito mil milhões de dólares,  o LHC prepara-se para produzir as primeiras colisões de protões agora em Julho, na tentativa de recriação das condições existentes no Universo, logo após o “Big Bang”. Cinco mil físicos de todo o mundo, incluindo 50 portugueses, ” vão tentar encontrar o elo perdido que permitirá esclarecer os enigmas que subsistem sobre o modo como a matéria se organiza no mundo e no Universo. Esse elo perdido é o bosão de Higgs, ou a partícula de Deus, como já lhe chamaram.”

Ao recriar os primeiros segundos de vida do Universo, os investigadores vão tentar desvendar a forma como a matéria se organizou a partir daquele momento. 

Esta extraordinária experiência, contudo, não está isenta de desconfiança sobre hipotéticas  consequências trágicas que a manipulação de matéria instável e a incrível libertação de energia  poderão provocar: desde o aparecimento de buracos negros no próprio colisionador e consequências daí resultantes, até à criação de um buraco negro monstruoso que devoraria a própria terra!?…

 Dan Brown, na obra já referida, coloca o seu protagonista perante o LHC, uma vez que o enredo do livro anda à volta da descoberta e utilização indevida, dos poderes da antimatéria. “Robert Langdon”, estupefacto, acaba por descrevê-lo:

“CAPÍTULO QUINZE

 (…) Langdon imaginou a escuridão do poço vazio por baixo deles. Tentou bloquear este pensamento olhando fixamente para o pequeno mostrador onde se sucediam em algarismos vermelhos o número dos pisos. Estranhamente, o painel tinha apenas dois botões: PISO TÉRREO e LHC.

– O que significa LHC? – perguntou, esforçando-se por não parecer nervoso.

– Large Hadron Collider – respondeu Kohler. – É um acelerador de partículas.

Acelerador de partículas? Langdon conhecia vagamente o termo. Ouvira-o pela primeira vez durante um jantar com alguns colegas na Dunster House, em Cambridge. Um dos menbros do grupo, um físico chamado Bob Brownell (…) explicara que um acelerador de partículas era um grande tubo circular ao longo do qual eram aceleradas partículas subatómicas. Ímanes distribuídos por toda a circunferência do tubo eram ligados e desligados em rápida sucessão de modo a “empurrarem” as partículas até que elas atingiam velocidades tremendas. Na aceleração máxima, as partículas circulavam pelo tubo a mais de duzentos e noventa mil quilómetros por segundo.

– Mas isso é quase a velocidade da luz! – exclamara um dos professores.

– Pois é – dissera Brownell. Explicara então que acelerando duas partículas em direcções opostas e fazendo-as colidir, os cientistas conseguiam decompô-las nas suas partes constituintes e ter um vislumbre dos componentes fundamentais da natureza.

– Os aceleradores de partículas – concluíra Brownell – são essenciais para o futuro da ciência. A colisão de partículas é a chave para a compreensão dos elementos com que foi construído o Universo.(…)

O CERN tem então um acelerador de partículas?, pensava Langdon enquanto o elevador continuava a descer. Um tubo circular para esmagar partículas. Perguntou a si mesmo por que razão o teriam enterrado tão fundo.

Quando a cabina se deteve com um ligeiro estremeção, ficou aliviado por voltar a sentir terra firme debaixo dos pés. Mas quando as portas se abriram, o seu alívio evaporou-se. Robert Langdon deu por si mais uma vez no limiar de um mundo totalmente alienígena.

O corredor estendia-se até ao infinito em ambas as direcções, para a direita e para a esquerda. Era um túnel de cimento liso, suficientemente largo para permitir a passagem de um camião de dezoito rodas. Brilhantemente iluminado no ponto onde se encontravam, tornava-se escuro como breu mais para diante. E daquela escuridão soprava um vento húmido – um perturbador sinal de que estavam nas profundezas da terra. (…)

– O tal acelerador de partículas, fica algures neste túnel? – pergunou Langdon, em voz baixa.

Kohler apontou para um refulgente tubo cromado que corria ao longo da parede interior do túnel.

– Aí o tem.

Langdon olhou para o tubo, confuso.

Aquilo é o acelerador? – O artefacto não se parecia nada com o que imaginara. (…) – Pensava que os aceleradores de partículas eram circulares.

– Este acelerador é um círculo – respondeu Kohler. – Parece recto, mas trata-se de uma ilusão de óptica. A circunferência do túnel é tão grande que a curva se torna imperceptível…como a da Terra.

Langdon estava estupefacto. Isto é um círculo?

– Mas…deve ser enorme!

– O LHC é a maior máquina do mundo. (…)

– Tem mais de oito quilómetros de diâmetro… e vinte e sete quilómetros de comprimento. (…)

– Descreve um círculo perfeito. Passa por território francês antes de regressar a este ponto. As partículas aceleradas ao máximo percorrem o tubo mais de dez mil vezes por segundo antes de colidirem. (…)

– Está a dizer-me que o CERN removeu milhões de toneladas de terra só para atirar pequenas partículas umas contra as outras?

Kohler encolheu os ombros.

– Por vezes, para encontrar a verdade, é preciso mover montanhas.”

Dan Brown, Anjos e Demónios, Bertrand, 2005

 

16 comentários leave one →
  1. 01/07/2008 14:45

    No outro dia, estive a ouvir uma notícia sobre este assunto. Muita gente, teme o pior. Mas também, temiam Newton quando este falou da gravidade. Enfim, os peritos garantem que não existe perigo. Não percebendo nada da matéria, não jogo, nem dou cartas. Apenas acho interessante a recriação dos seguintes segundos após o Big Bang.

  2. 01/07/2008 19:05

    É realmente um acontecimento espantoso, que , ou ando muito distraída, ou tem tido pouca divulgação.
    Não sei se essa eventual discrição poderá ter alguma relação com incertezas quanto a hipotéticas consequências da experiência, ou se é apenas a “máquina da conspiração” a trabalhar…
    No entanto, se tudo funcionar como o esperado, o que virá depois?

  3. 02/07/2008 15:10

    Você tem razão, esta notícia passou discretamente pelos noticiários. Como cientista, acho que os responsáveis não assumiriam riscos que não possam dominar. O que me preocupa é o uso que pode ser feito desta tecnologia, pois até hoje tudo foi instrumentalizado para servir a sede de poder do ser humano.
    Abraços.

  4. 02/07/2008 15:27

    Virá o caos e a destruição. Não sei, realmente. Melhor compreensão do mundo ?

  5. 03/07/2008 01:28

    O que seria de esperar era realmente uma melhor compreensão da nossa existência enquanto habitantes do Universo, mas se a realidade se aproximar (ainda) mais da ficção (ou o contrário?…) tal como o romance de Dan Brown mostrou, então o futuro não vai trazer boas notícias.

    Entrando um pouco no terreno da especulação, qualquer leigo no assunto já terá percebido que poderá estar em jogo a obtenção de uma tecnologia com um poder imenso, e o seu uso indevido certamente não trará benefícios.

  6. 16/09/2008 20:55

    a experiencia do lhc vai trazer beneficios para o ser humano para saber como foi sua origem e tambem chegar bem perto de deus porem devido sua curiosidade pode trazer tambem a sua destruição por mexer com energias totalmente ainda desconhecidas ate então. 15 setembro 2008 l7;00 hrs.

  7. 17/09/2008 17:19

    Por todos os motivos este é um assunto que desperta paixões. Se as experiências correrem com sucesso certamente poderão contribuir para o conhecimento da nossa existência e do universo, e talvez desvendar a verdadeira dimensão do que está na origem da nossa criação.

    Mas, avançando para um plano mais místico, e dando liberdade à especulação, será que está na mão do homem desvendar todo esse mistério? Será o homem capaz de compreender os mistérios da criação e utilizá-los em benefício da sua evolução, ou estes poderão transformar-se em armas de poder de alguns? Estará o homem preparado para compreender os derradeiros mistérios?

  8. 07/11/2008 07:00

    é uma verdadeira contradição por um lado vc pensa que nao tem como dar errado por outro vc imagina algo como: ” o homen vai ser engolido por sua propria abiçaõ”

  9. 07/11/2008 22:40

    Malu, eu não penso que seja uma experiência isenta de riscos. Provávelmente existem, mas talvez não sejam tão catastróficos como muitos têm proclamado. Certezas? Não tenho! Mas tenho esperança que, se chegar o momento, o homem esteja preparado para compreender as respostas procuradas e não se perca na sua ambição. Tudo afinal envolve um certo risco.

  10. Vinicius Ferreira permalink
    28/11/2008 21:45

    É interessante imaginar a gama de conhecimento que uma experiência deste porte pode proporcinar ao homem. Mas na minha opinião, isso é muito perigoso pois da maneira que humanidade vem caminhando gerando guerra por recursos naturais que ja estão por ter um fim, alguma utilidade bélica essa experiência vai ter…é so recordar das façanhas de Albert Einstein com a descoberta da energia nuclear.
    Vamos torcer para que eu esteje errado, caso contrario algumas mega bombas vão terminar com o que resta do nosso planeta.

  11. 13/12/2008 11:04

    O homem acredita ser DEUS…infelizmente caminhamos para um filme de ficção…onde o final…pode não ser feliz….e tambem não ter o 2 ou 3…será um filme de terror?….SERÁ QUE TEREMOS ALGUÉM PARA CONTAR?

  12. 13/12/2008 11:09

    A minha opinião é que o o homem esta tentando provar algo que ele desconhece…sem saber o final…fazer do Planeta Terra…uma experiencia…é fatal…para toda a humanidade…se acabar otimo..o pior será se sobrar alguém…

  13. 08/01/2009 20:24

    Olá amigos, sabemos que nos cálculos a humanidade já tenta provar que não há um DEUS, essa experiência é mais uma loucura humana de provar o inexplicável, só podemos esperar duas respostas uma boa e outra péssima. A boa é que DEUS existe e o brinquedinho frances não vai causar nenhum dano ao planeta, somente ao homem e a notícia péssima é que a cada tentativa do homem de querer ser DEUS, retrocede a humanidade a milhares de anos na sua busca eloquente e esse retrocesso acontece de várias formas; guerras, doenças epidêmicas, crises, etc.

    • 22/01/2009 00:53

      Caro Jonas, não penso que o objectivo desta experiência seja directamente provar que Deus existe ou não, ou que até isso alguma vez possa ser confirmado. É antes provar que o conhecimento do Homem tem avançado, sendo mais um passo para tentar explicar a nossa origem e a do universo. Não será isso legítimo? Afinal trata-se de uma dúvida que ainda não está resolvida ou comprovada… Provávelmente se essa resposta for alcançada, pelo meio outras questões poderão eventualmente ter outras explicações, como por exemplo Deus. Mas a história tem nos dito isso mesmo: através do seu conhecimento o Homem tem encontrado respostas para fenómenos que antes atribuía a outras causas… No entanto é provável que a crença em algo superior perdure ainda durante muito tempo, talvez seja mesmo uma característica do ser humano, talvez seja mesmo a sua própria imagem. Cumprimentos!

  14. 23/01/2009 19:36

    Olá Maria, você está corretíssima com seu raciocínio, mas pelo tamanho e invetimento dessa experiência, sabem muito bem o que querem, e depois será que irão parar quando tiverem as respostas, toda grande descoberta ou invento foi e é usado como arma.

    abraços

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