A Real Cascata (I)
A Quinta Real de Caxias constitui um dos mais relevantes elementos do património do concelho de Oeiras, nos arredores de Lisboa.
Localizada numa zona privilegiada, junto ao Tejo e à beira da antiga estrada real, deve a sua construção ao infante D.Francisco (1691-1742), filho de D.Pedro II e irmão de D.João V, e a sua edificação estendeu-se desde meados do séc.XVIII até aos inícios de XIX, concluído apenas pelo futuro rei D. Pedro V, que aí se deslocava com alguma assiduidade.
(diaporama elaborado com fotos minhas e algumas de LuPan, acessíveis no Flickr )
Planta da Real Quinta de Caxias, 1844
O jardim articulava áreas de cultivo (hortas e pomares) e de recreio através de uma malha geométrica constituída por eixos simétricos, rodeados de buxos, onde se salientam duas alamedas principais – a Rua da Imperatriz e a Rua de Hércules. Esta, ladeada por duas palmeiras de grandes dimensões, encaminha-se directamente para a grande Cascata e para o lago de Diana, que domina todo o espaço. De cada lado, encontra-se um pavilhão octogonal, em tons de salmão – onde hoje está instalada a sala de leitura da Biblioteca, funcionava originalmente como “casa do poço” e, do lado oposto, a “casa da fruta”. No jardim de buxos situam-se seis pequenos lagos e estatuetas, dos quais quatro apresentam no seu centro grupos escultóricos alusivos às Quatro Estações através da figuração dos respectivos três Signos do Zodíaco.
Estas esculturas, tal como todo o conjunto disposto na Cascata, são da autoria de Machado de Castro. Actualmente as existentes são cópias das originais em terracota, que têm sido alvo de um longo processo de restauro e consolidação. Esta fase do restauro estará concluída com a reposição integral de todo o conjunto escultórico, incluindo a cena mitológica do Banho de Diana que adorna a fabulosa Cascata, e que irei abordar brevemente.






























Marialynce, que bom que você está de volta e com este parque maravilhoso. Sempre gostei muito destes tipo de jardins “à la française”, por aqui alguns impressionantes estão no vale do rio Loire. As esculturas também são de uma grande riqueza de detalhes, e como sempre você nos traz aqui, elas formam um ciclo, ou melhor dois, as estações do ano e os signos do zodíaco.
Um grande beijo.
Viva Maria Augusta!
realmente tenho andado afastada por mil e uma razões, para além de que às vezes dá vontade de fazer umas férias aqui da blogosfera e voltar ao mundo real…
Agora vou tentar ser regular e voltar a visitar os amigos!
Este jardim é mesmo muito bonito e será mais quando estiver totalmente recuperado. Visitei-o recentemente pois, embora já soubesse da sua existência, anteriormente não estava aberto ao público.
Brevemente vou continuar a falar sobre as restantes esculturas e os seus significados, depois de verificar algumas informações e hipóteses de interpretação.
Um grande beijo também.
Viva,
Desde já muitos parabéns e obrigado pela informação que dispôs a cerca deste parque.
Sou residente em Caxias e vivo mesmo ao pé dele. Também adoro este parque não só pela sua beleza mas também pela paz que, pelo menos a mim, transmite.
Dado que conseguiu arranjar tanta informação a cerca dele queria perguntar-lhe se por acaso já existe alguma previsão de quando serão repostas todas as esculturas?
Muito obrigado e, se for caso disso, continuação de um óptimo trabalho.
Antes de mais obrigada pelo seu interesse e comentário.
Embora agora resida em Lisboa, vivi bastantes anos na Linha onde aliás tenho família e amigos, pelo que conheço bem este jardim, que, felizmente, voltou a ter algum do brilho que outrora terá tido.
Mas sou apenas uma curiosa pois não tenho qualquer ligação aos trabalhos de restauro que ali têm vindo a ser desenvolvidos. Procurei informar-me mínimamente mas não consegui ainda aceder a algumas publicações da Câmara que poderão esclarecer o futuro destes belos jardins.
Entretanto depois deste post publiquei um segundo e haverá ainda um terceiro dedicado ao Lago da Cascata e outros pormenores. É só ter disponibilidade!…
Cumprimentos