O Prazer da Arquitectura
Na história contada na Hypnerotomachia Poliphili , a fascinante obra publicada em 1499, que serviu de inspiração à criação deste blog e já abordada em posts anteriores, o protagonista Polifilo narra os diversos acontecimentos fantasiosos que vive durante o longo sonho que caracteriza a sua viagem até conquistar o amor de Polia.
Numa batalha entre as suas próprias emoções, em perseguição do amor, Polifilo é transportado até a um mundo pagão, livre do pecado, povoado por figuras da mitologia e regido por Eros, o Amor, que inspira o desejo pela beleza em todos os aspectos.
Assim, Polifilo, que significa o que ama Polia ou seja, o que ama muitas coisas, deixa-se envolver num êxtase crescente pelo prazer que tem em contemplar os jardins, as esculturas, as inscrições, e sobretudo, os edifícios da Antiguidade. Tal estado parece ser o mesmo que experimenta quando está na companhia de Polia. Polifilo ama a Arquitectura e no mesmo sentido carnal como ama Polia. (ver)
A cada oportunidade Polifilo perde-se no prazer quase obsessivo de descrever detalhadamente uma elaborada fonte, um obelisco ou um sumptuoso edifício. A arquitectura é apreendida como a metáfora de um corpo que se contempla, que se toca, que se saboreia e se consome com prazer. Um após outro os edifícios tornam-se objectos de desejo, metáforas do “corpo solido de Polia”.
Após contemplar os edifícios Polifilo sente-se “extremamente deliciado”, “incrívelmente alegre”, cheio de um “prazer frenético”. A arquitectura enche-o com o “maior prazer carnal” e com uma “luxúria efervescente“. Ele ama os edifícios não só porque são belos à vista mas também porque são agradáveis ao tacto. Esta sexualidade polimórfica assente no prazer obtido com a arquitectura transmite a toda a história uma atmosfera intensa de erotismo contido, surpreendentemente conseguida no início do séc.XVI. (ver mais sobre esta visão da Hypnerotomachia)
Este post foi a minha participação na colectiva do blog Tertúlia Virtual, sobre o tema PRAZER.
























O ser humano é fantástico mesmo de extasiar de prazer com tijolos! Não me entenda mal…
Acho incrível o que a gente pode fazer, transformar cimento e tijolos em arte, em formas que deliciam o olhar…
Legal sua participação!
é com muito prazer que passo por aqui e me deleito com seu texto e fotos, parabens!!
bjocas
Arquitectura…metáfora do prazer…excelente texto.
Nanda,
… (não levo nada a mal) mas o ser humano é surpreendente…
Obrigada pelo seu comentário. Dito assim “…extasiar de prazer com tijolos” é mesmo engraçado!
Ivany e Bento,
mais uma vez obrigada pelas palavras! Abraços
Que beleza de Tertúlia,
adorei ler e vislumbrar suas reflexões.
@dis-cursos
Como disse o Bento, que entende disso, excelente texto!
Obrigado por ter participado, e de forma tão competente de mais esta Tertúlia!
Ju,
obrigado pela visita. Vou retribuir!
Eduardo,
eu é que me divirto ao participar nestas tertúlias sempre com temas sugestivos.
Marialynce, eu havia escrito um comentário sobre este post dia 16, acho que não cliquei em “Submeter”…
Falei no prazer que este post me proporcionou por várias razões : primeiro porque fiquei conhecendo a origem deste blog, segundo porque a arquitetura é uma das minhas paixões (quase fui arquiteta) e também porque as obras da arquitetura da Antiguidade Clássica me encantam desde a minha infância. Logo, ler este post foi um dos maiores prazeres que tive nesta tertúlia!
Um grande beijo e merci.
Maria Augusta,
Escreveu mesmo um comentário ao meu texto mas no post mais antigo a que fiz referência, o “Hypnerotomachia Poliphili”, e onde eu lhe respondi. De qualquer modo ainda bem que gostou de o ler por esses vários motivos! Temos realmente vários gostos em comum!Beijos!
Estou visitando ainda o prazer do tertulia e fiquei encantada com seu texto,o que me fez pesquisar mais um pouquinho…
Ah! queria tanto ter o poder de esticar meu tempo,mas vou aproveitando assim mesmo.
Beijoca.
Nilda.
http://meucantin5.blogspot.com/
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Obrigada pela visita! Pois, parece que o tempo nunca está a nosso favor…
Irei retribuir!
Abraços