Do pouco que viajei até agora, (melhores dias virão…) posso dizer que encontrei um lugar que me fascina, que não me canso de contemplar, que talvez até possa dizer que é um lugar no qual me sinto em casa, uma cidade mágica.
Existe algo familiar na cidade de Roma, não sei bem explicar porquê, mas o certo é que me comove desde que tive a oportunidade de a visitar.
Possívelmente terá a ver com o facto de tudo o que está relacionado com a cultura clássica, em particular na arte e arquitectura, me entusiasmar. E estar no local onde tudo se construiu, é como que magia. Roma é um cenário de ficção, nela entramos literalmente na antiguidade clássica, a cada passo que damos cruzamo-nos com os testemunhos dessa civilização que criou o nosso mundo ocidental.
Esta foto transmite bem o meu sentimento da altura em que fiz questão de a tirar: encantada tendo o Fórum Romano como enquadramento… Na altura ( já lá vão uns anitos…) encontrava-se em grandes obras de restauro que entretanto terminaram.
Todas aquelas “pedras”, ruínas do passado dispersas por todo o lado, constroem a cidade, são elas a cidade, um Lugar mágico que me desperta emoções.
Emoções que me fazem sentir bem, sentir em casa.
Este post foi a minha participação em mais uma interessante Tertúlia Virtual sobre o tema : “Que lugar te faz sentir em casa?”
16/06/2009
Um Antigo Lugar, um Antigo Lar…
28/05/2009
1º Aniversário…
Pois hoje venho assinalar que o Polia’s faz Um Ano!
Por agora fica a certeza que, enquanto houver mais assuntos com algum interesse, vou continuar a divulgá-los neste espaço. É só haver tempo, que é de facto o grande problema… por isso mesmo por hoje, e contra o meu desejo, vou ficar por aqui.
A todos que por aqui têm passado e deixado as suas ideias um Muito obrigado e continuem!
O próximo post que vai inaugurar o 2º ano será dedicado a uma tarefa que desde o início desejei fazer, mas o tempo não tem deixado: começar a contar a história de Polia e Poliphilo, afinal o que inspirou a criação deste blog.
15/05/2009
Uma mágica Ilha Deserta
Venho tarde mas foi o possível, pois para uma viagem destas há muito em que se pensar!…
Não me imagino agora a ir para uma ilha deserta e lá ficar durante 10 anos. Talvez o mais próximo que me lembre de uma situação semelhante, na minha vida adulta (pois em criança andei por África), foi quando visitei a praia da Ilha da Barreta, mais conhecida exactamente por Ilha Deserta, na zona da Ria Formosa, Faro, Algarve, e que, na altura, para além de uma cabana (mesmo) a servir de (bom) restaurante, e de meia dúzia de veraneantes espalhados pelo longo areal, não havia nada mais, mesmo!
Na praia, o areal não tem fim à vista, são cerca de dez quilómetros de silêncio e de sossego, tanto na praia marítima como na praia da ria. É uma área completamente desabitada da Ria Formosa. O cordão dunar mantém preservada a sua vegetação original, bem como a capacidade de abrigar fauna.
Lembro-me que no final do dia, já com o pôr do sol, a olhar para as ondas que se formavam num mar “deserto”, a sentir o vento que começava a correr forte, no meio do areal imaculado, sentia-me um pouco “crusoé”, ou para ser mais moderna, “survivor”…mas depressa acordei porque o último “barco” já tinha chegado e nem eu nem a minha família estávamos interessados em testar as nossas capacidades de resistência à noite!
(As fotos foram retiradas do Flickr e outros sites)
Sendo assim, e de acordo com a minha “vasta” experiência no assunto, para ficar numa ilha deserta do Pacífico durante 10 anos, acho que levaria:
O meu querido e indispensável companheiro (que leva nos bolsos um canivete suiço e um isqueiro com recargas) Livros e livros (o Hypnerotomachia, claro, e livros de arte e história com muitas imagens, para me deleitar) A tecnologia indispensável: telemóvel por satélite (ah!) que já vem com carregador solar (afinal a Natureza é que nos salva mesmo!) Assim posso encomendar pizzas e outras iguarias, mantimentos, ferramentas, etc, resolver emergências… E ver os noticiários, manter os contactos, ver o mail, o blog… Cabana portátil com todos as comodidades possíveis (deve haver…) Comprimidos para tornar a água potável (já ouvi falar…)
Este post é a minha participação na colectiva Tertúlia Virtual, todo o dia 15!
06/05/2009
A Livraria gótica
Existe desde 13 de Janeiro de 1906 em plena baixa portuense, na zona histórica da torre dos Clérigos, e a sua inauguração teve um grande impacto no meio cultural da época. O edifício da Livraria Lello veio ocupar a anterior Livraria Chardron, fundada em 1869. No período que decorre entre esta data e a nova inauguração , o edifício conheceu outros proprietários. (ver)
“O edifício, de carácter ecléctico, com fachada neogótica, foi concebido segundo projecto do engenheiro Xavier Esteves, destacando-se fortemente na paisagem urbana envolvente.
A fachada apresenta um arco abatido de grandes dimensões, com entrada central e duas montras laterais. No segundo registo, três janelas rectangulares ladeadas por duas figuras pintadas por José Bielman, representando a Arte e a Ciência, respectivamente. Uma platibanda rendilhada remata as janelas, e a fachada termina em três pilastras encimadas por coruchéus, com vãos de arcaria de gosto neogótico. A decoração é complementada por motivos vegetais, formas geométricas e a designação “Lello e Irmão”, sobre as janelas.” (fonte IPPAR)

“No interior, os arcos em ogiva apoiam-se nos pilares em que o escultor Romão Júnior esculpiu os bustos de escritores como Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro, sob baldaquinos rendilhados, de linguagem neogótica. O grande vitral, onde se pode ler a divisa “Decus in Labore”, é uma das marcas mais significativas da livraria, pelas dimensões e riqueza de tons; tal como a escadaria de grandes dimensões, de acesso ao 1º piso, e os tectos trabalhados (QUARESMA 1995). “


“Um conjunto em que a arquitectura e os elementos decorativos deixam transparecer o estilo dominante naquele início de século. De facto, a Livraria Lello é um dos mais emblemáticos edifícios do neogótico portuense, ainda que ligeiramente tardio, mas em perfeita actualidade com algumas das tipologias estéticas da época, a que a literatura não foi alheia.”
Ao entrar no interior da livraria, o visitante sente-se envolvido por um ambiente surpreendente mas acolhedor, onde os livros se dispõem num cenário de uma decoração sumptuosa. Uma vasta sala, com uma galeria que dá acesso a um fabulosa escada ornamental, onde correm algumas mesas que servem para exposição dos livros, bancos em madeira e revestidos a couro e estantes a toda a altura da sala perfazem o espaço interior próprio de uma livraria actual, mas que guarda a memória de um esplêndido passado. O tecto, lavrado, resguarda no centro uma luminosidade diáfana que provém do amplo vitral, e as luzes dos pequenos candeeiros dispersos também acentuam o ambiente quase sagrado que ali se sente.
Todo o espaço foi restaurado em 1995 e a Livraria está, hoje, apta a responder aos novos desafios com um serviço actualizado e informatizado, disponibilizando ainda um espaço de galeria de arte e de tertúlia , que deverá constituir um importante pólo cultural da cidade do Porto. Ainda em 2008 foi considerada pelo jornal The Guardian a “terceira livraria mais bela do mundo”.

30/04/2009
Excalibur, o filme da terra dos sonhos
Vários filmes, por diferentes motivos, podia aqui referir, mas pensando bem, e porque a participação nesta colectiva do blog Fio-de-Ariadne pedia apenas um, conclui que poderia destacar como sendo aquele filme o épico fantástico Excalibur.
Foi realmente um filme que me marcou na minha juventude, e agora, ao fazer uma pequena reflexão, posso dizer que foi o filme que melhor me incutiu o gosto pelo mistério, pelo registo histórico e fantástico, pelo místico e mítico, pelo sobrenatural. Vi-o várias vezes na época (anos 80), e posteriormente adquiri-o em video mas ainda não o encontrei em dvd!..
Foi John Boorman quem realizou em 1981 esta história do Rei Arthur e da sua espada Excalibur , segundo uma adaptação do livro de Sir Thomas Malory, de 1485, Le Morte d´Arthur. Criou um filme de imagens poderosas e sumptuosas, sempre acompanhado de uma magnífica banda sonora, que acentua o seu carácter teatral, onde as batalhas se travam ao som de excertos da Carmina Burana de Carl Orff, como O Fortuna, ou quando Lancelot vai buscar Guinevere, toca o Prelúdio de Tristão e Isolda e trechos dessa ópera de Richard Wagner são tocados na cena do encontro amoroso. Além disso, tocam mais dois trechos de óperas de Wagner: o Prelúdio de Parsifal e o Funeral de Siegfried.
Do elenco desta produção conjunta dos Estados Unidos/Inglaterra constam notáveis actores, vários no seu início de carreira ; Nigel Terry: Rei Artur, Helen Mirren: Morgana, Cherie Lunghi: Rainha Guinevere, Paul Geoffrey: Perceval, Nicol Williamson: Merlin, o Mago, Robert Addie: Mordred, Gabriel Byrne: Uther Pendragon, Patrick Stewart: Leondegrance, Liam Neeson: Gauvain, Nicholas Clay: Lancelot.
A história conta que o Rei Uther Pendragon recebeu de Merlin, o Mago, a espada Excalibur – cuja guarda cabe à Dama do Lago –, com a qual ele tem de unificar a terra. Porém, a sua paixão por Ygraine, a esposa do duque da Cornualha, arruína as esperanças de paz que Merlin nutre. O Mago atende ao pedido de Uther, o de oferecer-lhe uma noite com o objeto do seu desejo, mas reclama, em troca, o fruto da sua relação com Ygraine. Ele espera encontrar nesse fruto o Eleito capaz de unificar a terra, ao contrário de Uther, que perdeu a confiança dos seus vassalos. Antes de morrer numa emboscada, Uther crava Excalibur num rochedo. A espada só poderá ser retirada pela mão do Eleito.
Este acaba por encontrar o Graal e oferece-o a Artur que bebe do cálice, o que lhe devolve a saúde. O Rei reconquista o seu poder que o filho, Mordred, cobiça. Uma batalha épica opõe pai e filho que se matam ao mesmo tempo: Mordred enfiando a lança no corpo de Artur e este enfiando Excalibur naquele. Artur é levado num barco para Avalon e a espada Excalibur volta para a mão da Dama do Lago.
O filme decorre em 142 minutos, numa encenação dos mitos fundadores da cultura ocidental, através do ciclo das lendas arturianas, desenvolvido na oposição entre a luz do sagrado e a infelicidade profana. Cada personagem é construída como a representação das qualidades do homem: a Sabedoria e simpatia encarnadas em Merlin, a Nobreza, símbolo da Amizade, que é Lancelot, essa constante necessidade em manter a Paz e a Justiça, que é Artur, ou essa Juventude inocente com ânsia de aventura e auto-superação que é Perceval. Mas também é assumida a aceitação das suas debilidades, como a traição que, apesar de tudo, são superadas e redimidas através da Fidelidade e da Nobreza do arrependimento.
Por outro lado aparece a religião, sem credos, sem dogmas, que só é acessível através da comunhão com a Natureza e, sobretudo, com a Sabedoria que cada herói transporta em si e que deve conquistar. Esta Sabedoria mítica é representada pelo mundo mágico de Merlin, que instrui ao homem para que, afinal, quando o momento chegar, fique só e saiba ser um verdadeiro Rei. “Uma Terra, um Rei…”, este é o Segredo do Graal: o homem consciente da sua natureza e do seu lugar no mundo, da sua Sabedoria. O esquecimento destas palavras provocou a decadência, a pobreza da terra, as enfermidades e a fome das gentes. Somente através do seu despojamento do mundo material, com a sua Esperança, com a sua Fé, o Homem, simbolizado na figura de Perceval, alcança a sua Sabedoria perdida. E a obscuridade dissipa-se. A estética encenada do filme, porque se trata de uma encenação de arquétipos do mundo e não de retratos psicológicos, e que caracteriza o ambiente sobrenatural que Excalibur requer, também acompanha e reforça a passagem das etapas deste ciclo: os tons sombrios dos rostos e dos ambientes passam a iluminar-se com a posse do Graal e o renascimento da esperança, veremos em primeiro plano as flores das cerejeiras abrirem-se num instante, e uma chuva de pétalas cair sobre Artur e os Cavaleiros armados quando rumam à batalha final, num dos mais belos momentos do filme.
Na derradeira batalha o Inimigo, simbolizado em Mordred, é derrotado. Desta forma fecha-se um ciclo na Humanidade: a Espada Excalibur volta ao lago, e Artur viaja à Ilha da Imortalidade/Eternidade, ao som da “Marcha Fúnebre de Siegfried” de Wagner. Estas foram as suas derradeiras palavras: “Um dia chegará um Rei e a Espada ressurgirá das Águas”.
Eternamente repete-se o Mito, eternamente volta o Rei Artur e o Mago Merlin, assim como Morgana, Lancelot, Perceval, Guinevere, que representam todos nós na nossa mística/mítica caminhada.
(adaptado e interpretado a partir de um texto de Francesc Sánchez-Bas)
O filme é longo e cheio de detalhes no seu denso enredo, mas não resisto a partilhar alguns excertos talvez dos mais significativos…
EXCALIBUR: CENAS INICIAIS
COMO ARTUR SE TORNOU REI
LANCELOT E GUINEVERE
ARTUR PEDE AJUDA A MERLIN
A DESCOBERTA DO GRAAL E A PREPARAÇÃO DA BATALHA FINAL
CENA FINAL COM A MORTE DE ARTUR
22/04/2009
Imagens para um planeta verde!
Para responder ao apelo oportunamente lançado pelo blog Movimento Natureza neste Dia Mundial da Terra, venho partilhar um trabalho que executei recentemente com os meus alunos (de 14/15 anos) nas aulas da minha disciplina (Educação visual/desenho), inserido num projecto mais amplo de colaboração com uma escola italiana, por via do site das respectivas escolas.
A sua execução significou mais uma acção de sensibilização dos alunos para os problemas das energias alternativas e da preservação do planeta, que podem efectivamente ser menos poluentes e assim contribuirem para minimizar o efeito de estufa e protegerem o meio ambiente.
Os alunos elaboraram pequenas imagens simbólicas que transmitem algumas ideias básicas: de que forma se pode optar e utilizar energias ou combustíveis menos poluentes – as chamadas “energias verdes” - de modo a preservarem o nosso ambiente; como alertar para a necessidade de um equilíbrio do homem com a natureza; chamar a atenção para situações de perigo para o planeta; reconhecer a importância das árvores, assim como da água, na vida do homem e do planeta .
Optei para partilhar neste dia, pelos desenhos mais inspirados na Natureza, através da árvore ou das alternativas “verdes”. A totalidade das imagens foram agora publicadas no site da escola para acesso da comunidade escolar.
Esta foi a minha primeira acção inserida no projecto Movimento Natureza . Participe!
22/04/2009
“The Lost Symbol”, o Código continua…
É verdade!…Finalmente Dan Brown lá conseguiu terminar o novo romance, após anos de expectativa…
E, claro, tanto tempo de espera (o famoso “Código” é de 2003) agora é compensado com emoção dupla: a Columbia Pictures parece ir assegurar os direitos a uma nova adaptação ao cinema, mesmo antes do lançamento oficial do livro, que vai ser no dia 15 de Setembro, nos EUA, e da estreia do segundo filme “Anjos e Demónios”, que é baseado no primeiro romance de Dan Brown, nos cinemas portugueses no dia 14 de Maio. Teremos pois, muito provávelmente, Ron Howard e Tom Hanks de regresso para uma terceira ‘aventura’ de Robert Langdon.
O novo romance de Dan Brown, que se vai intitular “The Lost Symbol”, parece ser uma continuação de “O Código Da Vinci”. O protagonista será inevitávelmene Robert Langdon, decorrendo a acção num período de tempo de doze horas.
A este propósito referiu Dan Brown que “foi uma estranha e maravilhosa jornada. Encaixar cinco anos de pesquisa no espaço de tempo de doze horas foi um desafio entusiasmante. A vida de Robert Langdon corre nitidamente mais rápido do que a minha.”
Sobre o enredo nada se sabe em concreto, apenas se “conspira”, como aliás, seria de esperar.
Segundo Sonny Mehta, editor-chefe da Knopf Doubleday Publishing Group, uma divisão da Random House, a editora do escritor, “The Lost Symbol” “é um brilhante e empolgante thriller. O prodigioso talento de Dan Brown para contar histórias, para códigos e intrigas, está bem patente neste novo livro. Valeu bem a espera”.
Já o editor de Brwon, Jason Kaufman, realçou que “nada é o que parece num romance de Dan Brown. Este livro tem lugar num período de doze horas e desde a primeira página os leitores vão sentir a emoção da descoberta constante ao seguir Robert Langdon através de um magistral e inesperado cenário. ‘The Lost Symbol’ está recheado de surpresas.”
Entretanto as editoras não descansam e iniciaram-se as pré-vendas pelo mundo virtual…
Veremos… Ao menos que nos faça recordar o gosto pelas aventuras de “conspirações”…
21/04/2009
Vasarely: a poesia do Cosmos
Embora sendo um dos artistas cuja obra alcançou maior difusão mundial, por via das inúmeras reproduções, em “posters”, capas de livros, discos, etc, e por isso mesmo por muitos considerado um artista “menor” e a sua obra apelidada de fria, calculista, repetitiva, o facto é que Victor Vasarely (1906-1997) considerava os princípios estéticos das suas pinturas como “o equivalente poético do cosmos”. (Magdalena Holzhey, Vasarely, ed. Taschen)
Foi este facto que me despertou (mais) interesse e me fez decidir a elaborar este post para partilhar esta perspectiva da obra de Vasarely.
A abordagem racionalista e científica a par da poesia e de um sentido do universal é um dos aspectos mais intrigantes e fascinantes da sua obra. É a partir da década de 1960 que começa a explorar as micro e macro-estruturas do mundo invisível:
“As minhas unidades plásticas: círculos multicoloridos, quadrados, são contra parte das estrelas, átomos, células e moléculas, mas também de grãos de areia, seixos, folhas e flores. Sinto-me muito mais perto da natureza do que qualquer pintor de paisagens; eu confronto-a ao nível da sua estrutura interna, da configuração dos seus elementos.” (M. H. ob.cit.)
Zebegen, 1966/7
O seu sistema de “unidades plásticas” (módulo pictórico básico que consistia num quadrado e uma figura geométrica nele gravada) gerava analogias com a física moderna mas alcançava um sentido metafísico: era um símbolo do todo,
“a essência abstracta do belo, a forma primitiva do perceptível”
“Durante estes anos devorei inúmeros livros sobre a teoria da relatividade, a mecânica das ondas, a cibernética e a astrofísica. Uma frase em particular… causou-se-me uma impressão profunda e duradoura :…”Mais que tudo, poder-se-ia ver a matéria, entendida como energia, como uma deformação do espaço…” A física teórica revelou-se-me de repente como nova fonte de inspiração poética. (…) Sustentado por ondas, depressa cheguei ao átomo, depressa cheguei à via Láctea…Não seria possível que o universo fosse de facto apenas uma simples e grande equação?”
Vasarely não pretendia ilustrar com precisão a teoria da relatividade ou o princípio da incerteza, mas antes transmitir com a sua arte o sentimento que tornava compreensível o conhecimento científico que tinha transformado a nossa visão do mundo.
A sua linguagem abstracta e visual com significado existencial encontra tradição no “Timeu” de Platão, onde as formas geométricas eram descritas como unidades estruturais da ordem cósmica, sendo que a beleza pura e universal apenas seria transmitida através da harmonia das formas e cores elementares.
Os títulos das suas obras também evocam essa dimensão universal e um mistério poético. Incluíam termos como “Luz”, “Planeta”, “Espaço”, ou os nomes de constelações e quasares e do vocabulário da microfísica. A série intitulada “CTA” refere-se a sistemas solares distantes, onde Vasarely pretendia “evocar a ideia de uma energia distante e incrível”, numa tentativa de transmitir
“uma correspondência intuitiva para que cada pessoa pudesse sentir-se à vista do universo das estrelas, e por referência com as ciências modernas . Além do mais, elas próprias tinham chegado a um limite:…tinham encontrado por acaso uma muralha de mistérios. Aqui está a razão por que eu tento, nas minhas pinturas, fazer algo de perceptível, fisicamente sensível, que esteja nos limites do inexprimível e também ao nível do conhecimento.”
Vasarely ousou dar forma poética aos mistérios da ciência moderna. Afinal as suas obras são uma metáfora do esquema universal, com as descobertas da época, que implicaram uma perda da concepção ordenada do espaço, o avanço tecnológico e a mobilidade.
(Este post foi elaborado a partir da referida obra de Magdalena Holzhey.)
15/04/2009
O Prazer da Arquitectura
Na história contada na Hypnerotomachia Poliphili , a fascinante obra publicada em 1499, que serviu de inspiração à criação deste blog e já abordada em posts anteriores, o protagonista Polifilo narra os diversos acontecimentos fantasiosos que vive durante o longo sonho que caracteriza a sua viagem até conquistar o amor de Polia.
Numa batalha entre as suas próprias emoções, em perseguição do amor, Polifilo é transportado até a um mundo pagão, livre do pecado, povoado por figuras da mitologia e regido por Eros, o Amor, que inspira o desejo pela beleza em todos os aspectos.
Assim, Polifilo, que significa o que ama Polia ou seja, o que ama muitas coisas, deixa-se envolver num êxtase crescente pelo prazer que tem em contemplar os jardins, as esculturas, as inscrições, e sobretudo, os edifícios da Antiguidade. Tal estado parece ser o mesmo que experimenta quando está na companhia de Polia. Polifilo ama a Arquitectura e no mesmo sentido carnal como ama Polia. (ver)
A cada oportunidade Polifilo perde-se no prazer quase obsessivo de descrever detalhadamente uma elaborada fonte, um obelisco ou um sumptuoso edifício. A arquitectura é apreendida como a metáfora de um corpo que se contempla, que se toca, que se saboreia e se consome com prazer. Um após outro os edifícios tornam-se objectos de desejo, metáforas do “corpo solido de Polia”.
Após contemplar os edifícios Polifilo sente-se “extremamente deliciado”, “incrívelmente alegre”, cheio de um “prazer frenético”. A arquitectura enche-o com o “maior prazer carnal” e com uma “luxúria efervescente“. Ele ama os edifícios não só porque são belos à vista mas também porque são agradáveis ao tacto. Esta sexualidade polimórfica assente no prazer obtido com a arquitectura transmite a toda a história uma atmosfera intensa de erotismo contido, surpreendentemente conseguida no início do séc.XVI. (ver mais sobre esta visão da Hypnerotomachia)
Este post foi a minha participação na colectiva do blog Tertúlia Virtual, sobre o tema PRAZER.
18/03/2009
O filme da minha vida
O cinema é algo fascinante. Num écran vemos desfilar vidas alheias, com as suas alegrias e tormentos, vidas do passado e do futuro, sonhos e ideais, emoções e sensações. E de cada vez que assistimos a um filme também nos vemos um pouco a nós próprios, e de certo modo ficamos marcados por algum detalhe que nos chamou a atenção, que nos entusiasmou, e que se perpetuou nas nossas memórias.
Por isso, mesmo que à partida possa ser difícil destacar apenas um, se pensarmos bem talvez afinal fique lá o “vestígio” de algum, que por qualquer motivo foi mais marcante. E assim será interessante partilhar essa pequena (nossa) história que rodeia a outra história do filme que escolhemos.
Partilhar esse momento é o objectivo da colectiva proposta pelo blog Fio de Ariadne para os próximos dias 29 e 30 de Abril!
Caso deseje participar:
1. Deixe seu nome e blog na caixa de comentários deste post até o dia 27 de abril; 2. leve um dos selos da coletiva ;
3. Faça um post sobre o evento no seu blog, contendo este passo-a-passo e divulgue o selo;
4. Prepare na data marcada – dias 29 e 30 de abril- um post falando sobre o filme , sobre a experiência de assistí-lo, o que marcou, o que quiser falar sobre ele. Trata-se do seu filme preferido e, e claro, você é quem manda.





Zebegen, 1966/7






















